
Maior mensalidade na Misericórdia gera indignação
Uma familiar de um utente da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho denuncia o «aumento superior a 10% nas mensalidades» cobradas aos utentes desde janeiro deste ano, o que é incomportável para alguns utentes e que contraria aquela que diz ser a «missão fundadora das Misericórdias», de «ajuda aos necessitados, doentes e desvalidos». Mas a provedora da instituição recusa as acusações e, confirmando aumentos, garante que todas as situações foram estudadas caso a caso e nenhum aumento foi concretizado sem a devida autorização das famílias.
Num email enviado ao Diário de Coimbra, Maria (nome fictício) mostra a sua «profunda indignação» e garante que este é um sentimento generalizado em muitas famílias que se viram confrontadas com o aumento das mensalidades que, argumenta, é «extraordinário e desproporcionado» e não está em linha com a atualização salarial e o aumento das pensões. A título de exemplo - e revelando emails que a própria terá recebido da instituição - diz que uma mensalidade de 900 euros passa a ser no valor de 1.000 euros.
«A situação torna-se ainda mais grave à luz da notificação enviada às famílias, na qual é referido que o não pagamento da mensalidade dentro dos prazos estipulados poderá conduzir, ao fim de 90 dias, à exclusão do utente da resposta social».
Afirmações que a provedora Maria São José contrapõe, admitindo que, efetivamente, houve aumentos, mas não foram todos iguais - «nalguns caos não houve» -, e nunca na história que se lembre da instituição alguém foi posto na rua por falta de pagamento.
Maria São José começa por explicar que o custo médio por utente em ERPI (Estrutura Residencial Para Idosos), segundo a Segurança Social, cifra-se nos 1.629,15 euros, mas a instituição só recebe, por protocolo, 666,90 euros do Estado por cada utente com direito à comparticipação, ou seja, o restante, superior a 900 euros, deveria ser pago pelos utentes.
«Tenho utentes que pagam 500, 600 euros, até que pagam 300 euros», garante a provedora, afirmando que as atualizações de preços foram estudadas caso a caso e «nenhuma atualização foi feita sem o devido acordo da família». «Não houve qualquer reclamação até ao momento, por isso é de estranhar a denúncia», comenta ainda.
De acordo com a provedora, a possibilidade de exclusão ao fim de 90 dias perante a falta de pagamento que é dada a conhecer às famílias, decorre unicamente do que diz o «regulamento interno».
«Se ao fim de 30 dias não pagam mandamos um aviso, ao fim de 60 dias mandamos outra forma de aviso. E se ao fim de 90 dias não pagar nem disser porque não paga, temos permissão para excluir, mas isso nunca aconteceu», explica, frisando que quando há dificuldades de pagamento, a Misericórdia está «aberta a encontrar soluções».











