
Agricultura vista como “essencial” para o território
A Casa da Escrita foi o palco escolhido para acolher “Raízes de Mulheres: Sementes de Futuro”, uma exposição desenvolvida pela CCDRC (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro) com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra (CMC).
Em ano que se dedica a homenagear a mulher na agricultura, esta exposição chega com relatos da experiência feminina na área agrícola, considerada uma das “sementes” do futuro e “raiz” local. «A mulher da agricultura é um exemplo de resiliência, um exemplo da organização do trabalho e da vida» elogiou Isabel Damasceno, que ainda exerce funções como presidente da CCDRC. Para se ter uma «perspetiva completa» da sua importância é necessário ver «todo o trabalho» efetuado pela mulher que, muitas vezes, implicava «organizar toda a dinâmica familiar [como as funções domésticas] em conjunto com o trabalho no campo», uma realidade antiga que já não se vê e «por boas razões», destaca a presidente.
Nesta homenagem à mulher, o território e a sua importância não ficam esquecidos. «Temos aqui exemplos importantes da mulher na sustentabilidade do território», menciona Ana Abrunhosa, presidente da CMC. A autarca referiu ainda que é possível ver o «desenvolvimento da igualdade» e um «património humano» onde se «valoriza o mundo rural». Ana Abrunhosa enalteceu, ainda, a “Mulher de Almalaguês”, figura do imaginário local, que se apresenta como «um exemplo de luta e perseverança».
Também presente na sessão esteve José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e do Mar, que agradeceu estar na presença de «duas mulheres que são o exemplo» de «sucesso e qualidade» e, ainda, alertou para os problemas do setor que precisa de «novo investimento» planeado para cada região, «rejuvenescimento» dos seus trabalhadores e da importância da mulher e da agricultura para a «coesão territorial».

Mercosul não ficou esquecido
Já no final da visita à exposição, José Manuel Fernandes respondeu a algumas perguntas referentes ao Acordo UE-Mercosul, e destacou a sua importância. «Há elementos de proteção para os agricultores que se encontram neste acordo que ainda não existem em outros já em vigor.
As pessoas têm versado a sua opinião sem conhecimento, o que é um pouco preocupante. A minha esperança é de que o Mercosul sirva de precedente para se adaptarem outros acordos, para que se protejam mais os produtores agrícolas» sublinhou o ministro.
Em análise mais local, reforçou que é necessário que as «clausulas rígidas» sejam cumpridas, principalmente para que não exista competição desleal, preocupação já demonstrada pelas associações e produtores do Baixo Mondego. «É preciso que as medidas sejam cumpridas, se assim for, todos ganham», indica.












