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Braille como ferramenta de inclusão é “fulcral”

Foi na Biblioteca Municipal que um novo livro, “traduzido” para cegos, foi apresentado, e Ana Sofia Antunes falou sobre “educar e incluir”

Dia 4 de janeiro celebra-se, desde 2019, o Dia Mundial do Braille, um tipo de escrita, pontilhada e em relevo, que permite às pessoas cegas e com deficiências visuais ler e aprender o léxico e a gramática. Foi desenvolvido há mais de 200 anos por Louis Braille, e ainda hoje é uma das ferramentas mais importantes no desenvolvimento cognitivo de pessoas com dificuldades visuais e inclusão das mesmas na sociedade.

«É muito importante, mes­mo numa era de desenvolvimento e avanços tecnológicos», destaca Ana Sofia Antunes, ex-secretária de Estado da Inclusão, numa sessão que decorreu esta sexta-feira, em Coimbra.

Apesar de atribuir «grande valor» aos avanços digitais, reflete que o Braille não deve desaparecer (e não prevê que isso vá acontecer). «O Braille é a única forma das pessoas cegas aprenderam as letras, as palavras, perceberem o léxico. É simples de se aprender e deve ser utilizado como uma ferramenta de inclusão» como, sublinha, já acontece em medicamentos, rótulos de produtos e outras infraestruturas em vários pontos da cidade.

O processo de inclusão, porém, ainda é longo. «Por vezes é difícil trabalhar para incluir, não porque não se tenha esse desejo, mas por desconhecimento» indicou a ex-secretária de Estado, que foi a primeira pessoa com deficiência visual a ocupar um cargo de funções governativas em Portugal. Da sua experiência, reconhece que existe uma grande necessidade de «entender os problemas» de todas as pessoas, para depois existir a possibilidade de adaptar as cidades, sendo este um longo processo. «Certamente há trabalhos a serem feitos para melhorar acessos e desenvolver soluções, mas é preciso um trabalho conjunto».

Em Portugal, existem dois nomes muito relevantes para o Braille. São eles Branco Rodrigues e Albuquerque e Castro. Fátima Moniz, membro do Centro Professor Albuquerque e Castro, alertou para as “traduções” em Braille como um passo «fulcral no desenvolvimento das pessoas cegas». «É através destes livros adaptados que conseguimos levar a literatura às pessoas com alguma deficiência visual, para que compreendam a leitura, as palavras» competência de grande relevo para todos, que é também a sua «única forma de leitura». Discursando, também, sobre os avanços tecnológicos, Fátima Moniz apontou que «não é a ouvir que se aprende as palavras», no seu estado “formal”, ou seja, a sua construção, facto reforçado mais tarde por Ana Sofia Antunes.

ACAPO Coimbra presente

Também presente na sessão, José Francisco Caseiro, presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) de Coimbra, reforçou a importância do Braille e, ainda, do trabalho que a associação e a Câmara de Coimbra têm vindo a fazer para tornar a cidade mais inclusiva. «Temos Braille no Metro Mondego, por exemplo, e isso é um grande passo para a nossa independência. Felizmente, também nos podemos orgulhar do trabalho realizado regularmente com a biblioteca para fazer atividades ligadas aos cegos e ao Braille».

O presidente, que foi revisor de Braille durante 10 anos na DGEstE , alertou para os «sucessos» tecnológicos que dão «maior liberdade e independência» às pessoas com dificuldades visuais, mas reforçou que «é necessário dignificar e defender o Braille», principalmente pelo seu potencial de unificação e inclusão.

Janeiro 12, 2026 . 07:45

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