
”Genialidade” de monsenhor Nunes Pereira num traço único
De obras da década de 20 do século passado, que marcam os primeiros anos do traço de monsenhor Nunes Pereira, até ao último projeto, datado de 2001, para o vitral da Igreja de São José, sem esquecer um ponto especial: um memorial dedicado à mãe, figura central da vida do padre-artista, nascido em Mata, na freguesia de Fajão, Pampilhosa da Serra, a 3 de dezembro de 1906. Quem visitar, até 31 de julho, a Oficina-Museu Nunes Pereira, no Seminário Maior de Coimbra, vai encontrar cerca de uma centena de obras da autoria do sacerdote, que deixou um espólio com cerca de 15 mil peças.
«O monsenhor Nunes Pereira tem uma vastíssima obra. No espólio dele já tinha visto desenhos lindíssimos do traço dele e acho que era meritório fazermos uma exposição sobre o traço», explicou Cidália Santos, do Seminário Maior de Coimbra, do Comissariado Científico da iniciativa, a par com Virgínia Gomes, do Museu Nacional de Machado de Castro.
«O nosso ponto de partida para estas comemorações [ 120 anos do nascimento e de 25 da morte de Nunes Pereira] era o traço», salientou, explicando que para selecionar as cerca de 100 que dão vida à exposição temporária “Nunes Pereira e o traço: 1927-2001”, foi necessário analisar uma mostra de mais de 4 mil peças.«Fizemos uma seleção de 500, que ficaram reduzidas a cento e qualquer coisa. Foi muito difícil, porque as obras são muito boas, é um património vastíssimo», acrescentou Cidália Santos.
A antecipar a visita à mostra, o padre Nuno Santos, reitor do Seminário Maior, lembrou que «é a primeira vez» que «esta vertente» da obra de Nunes Pereira é exposta. «É um enorme privilégio fazermos parte deste tempo e desta história e podermos homenagear quem nos deixou um legado tão grande», adiantou, referindo que, para muitos, a xilogravura e o vitral são as representações mais conhecidas da obra do monsenhor.
A exposição é o primeiro momento de um programa, desenhado pelo Seminário Maior e Museu Machado de Castro, que vai decorrer até dezembro, com a colaboração dos municípios de Coimbra, Cantanhede, Arganil, Góis, Lousã, Montemor-o-Velho e Pampilhosa da Serra.
Nuno Santos destaca a diversidade de iniciativas do programa, entre um colóquio científico, música ou teatro, referindo que a homenagem vai também passar pela inauguração de um monumento a Nunes Pereira, cujo «mérito e grandeza» serão ainda mais evidenciados ao longo de 2026.
“Era um homem de boas relações, de muita arte e de muita vida”
Nuno Santos recorda-se, perfeitamente, de ver o monsenhor a fazer as suas peças de arte na oficina. «Era uma pessoa muito afável, com bastante humor», salientou, destacando alguém que estava «em paz com a vida» e se distinguiu pela «genialidade».
«Eu penso que o Nunes Pereira era um homem mais completo porque era também um homem de boas relações, de muita arte e, eu diria, de muita vida», continuou, certo de que era também um pensador do presente e do futuro.
Viria a falecer em 2001, ano em que Nuno Santos foi ordenado sacerdote.












