
"Entramos em tudo para sermos campeões"
Diário de Coimbra | Como que surge esta oportunidade de treinar a seleção de futsal para atletas surdos?
Márcio Sousa | Eu fiz uma formação do Comité Paralímpico em 2023 para agentes desportivos e conheci lá a Susana Lourenço que era a presidente da Liga Portuguesa de Desporto para Surdos. Trocámos algumas impressões, conseguimos conversar um pouco e quando acabou a formação voltei para Coimbra e ela ficou em Lisboa. Ela ficou a conhecer o trabalho que eu já fazia com os atletas com deficiência visual e um ano depois fez-me um convite para este cargo. Só que nessa altura acabou por ser outra pessoa a assumir a seleção. Eles conseguiram o apuramento para o campeonato europeu, mas essa pessoa acabou por não ficar e voltaram a convidar-me. Eu já tinha aceitado da primeira vez e voltei a aceitar. Cá estamos para trabalhar.
Fizeram já alguns estágios. Que análise faz a este desafio que lhe foi lançado?
Eu costumo dizer uma coisa, eu nunca vou só para lado nenhum. Quando assumi, fiz um pedido à Direção que passava por levar pelo menos duas pessoas no meu staff. Levei um rapaz que é preparador físico no Sport Conimbricense e um treinador de guarda-redes. Depois, tenho também auxílio de duas pessoas que estão no Brasil que fazem a prescrição do treino, que já me acompanham há mais de 15 anos e que também fazem análise de desempenho das equipas adversárias. Nós fizemos o planeamento do trabalho a partir de setembro. Fizemos um estágio em outubro, um em novembro e dois em dezembro. Foram feitos quatro estágios, eu vi muitos jogadores, tive a oportunidade de acompanhar a Taça de Portugal e a Supertaça que se realizou aqui em Coimbra, no Pavilhão de Lordemão. Conseguimos observar muita gente. Portugal está afastado do Campeonato Europeu há muito tempo, mas tem um bom nível. Temos jogadores com alguma idade, muita experiência e com qualidade técnica e tática. Estou a tentar mesclar com alguns jovens já a pensar no Europeu e nos nossos adversários que têm jogadores com muita qualidade, são fortes fisicamente. Mas estou confiante que vamos ficar dentro dos qualificados para os Jogos Surdolímpicos de Verão de 2029 na cidade de Atenas, na Grécia.
E como é o grupo de trabalho que lidera?
Nós temos pessoas muito determinadas. Temos alguns que se esforçam e outros que estão a começar a entrar nesta ideia de serem realmente atletas e esse trabalho é muito duro. Tenho de lembrar que não são um grupo de profissionais, eles são todos amadores mesmo a fazer parte da seleção nacional e isto aplica-se tanto aos atletas como à Direção, o trabalho é totalmente voluntário. Quanto aos jogadores, temos de estar “pegando no pé deles o tempo inteiro” como se diz no Brasil. Existem grupos no WhatsApp no qual vamos fazendo a nossa comunicação com prescrição de treino semanal, com ideias constantes de alcance de metas através desses treinos para que eles as cumpram, tanto em relação ao peso corporal, como em relação à capacidade física, porque eu primo muito por essa capacidade física. Se chegarmos bem fisicamente ao Europeu nós vamos dar-nos muito bem na competição, porque tecnicamente nós temos muita qualidade. Quanto à atitude, é um grupo tranquilo, não tem nenhum stress, são boas pessoas e isso faz com que também o trabalho evolua.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:










