Se todos os rios são doces, de onde tira o mar o sal?
Janeiro 2, 2026 . 09:50
"O Convento de São Francisco e o Fórum Coimbra ajudaram a coser margens, devolvendo circulação, fruição e encontro a um espaço que durante décadas funcionou como fronteira" | Texto de Opinião de Alexandre Gomes da Silva
“Por este rio acima” não é apenas uma canção. É uma viagem pela memória, pela identidade e pela fundação simbólica de um país. Na obra maior de Fausto, o rio é caminho, é origem, é pergunta. E essa pergunta ecoa hoje no Rio Mondego, em Coimbra: que lugar ocupa o rio na vida da cidade que dele nasceu?
Há rios que definem paisagens, outros definem memórias. O Mondego fez ambas as coisas. Cantado em fados, serenatas e juras de amor, cenário de milagres e lendas, presença na obra central da literatura portuguesa, foi durante séculos caminho, sustento e horizonte. Hoje, porém, parece reduzido a um papel passivo, quase decorativo. Ter-se-á tornado um recurso esquecido?
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