Passagem de ano
Janeiro 2, 2026 . 15:57
"É por isso que seria bom deixarmos regularmente em pousio um ano para permitirmos que o nosso espírito descanse de toda a fadiga acumulada durante as 52 semanas anteriores loucamente consumidas" | Texto de Opinião de Cristina Robalo Cordeiro
Janus, o deus latino das portas e dos cruzamentos, vinha junto dos Romanos fechar o ano decorrido e abrir o novo, com uma das suas faces olhando para trás e refletindo o passado, com a outra, considerando os dias por vir. Assegurava assim a passagem entre duas épocas, entre o que já não é e o que ainda não existe. As nossas agendas modernas são mais brutais: salvo exceções, começam ex abrupto a 1 de janeiro, projetando-nos no futuro, sem nos deixar tempo para nos habituarmos à mudança de número. Mal saímos de 2025 e eis-nos lançados no ano 2026, com todas as suas páginas ainda brancas por preencher, a menos que a nossa profissão as tenha já marcado de múltiplos encontros, reuniões e obrigações diversas.
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