
Gonçalo Dionísio e a arte das pizzas com galardão
Das mãos e do saber fazer de Gonçalo Dionísio saem pizzas campeãs. O pizzaiolo não é italiano, mas faz pizzas como se fosse, e nem sequer nos seus sonhos de um dia pensou que esta viria a ser a sua profissão. Mas aconteceu e hoje tem já dois troféus que atestam a sua qualidade em casa, um dos quais conquistado recentemente, entre cerca de 200 concorrentes, e que, diz, é «o troféu que qualquer um quer ganhar». A residir e trabalhar na Lousã, onde tem espaço próprio, Gonçalo Dionísio tem no palmarés o primeiro lugar nacional na categoria de Pizza Napoleteana STG, que junta ao título conquistado no ano passado de campeão nacional de Pizza Clássica.
À distância de pouco mais de um mês do concurso realizado em Vila Nova de Gaia, Gonçalo Dionísio recorda ainda a «emoção muito grande sentida», recordando também a importância que é ter ficado entre os 50 primeiros no campeonato do mundo realizado no ano passado, num universo de 900 concorrentes de todo o mundo. E já de olhos postos no futuro, revela que tem em preparação uma equipa portuguesa que vai partir à conquista do próximo campeonato do mundo a realizar em Parma, Itália.
Se pizza remete para Itália é, pois, ao berço que Gonçalo Dionísio vai buscar alguns ingredientes essenciais em qualquer pizza, como o tomate e o queijo, que fazem a qualidade do seu produto. «O tomate San Marzano é cultivado em Nápoles, ao pé do vulcão. Só se produzem um “X” de latas por ano e todas têm número de série», conta o pizzaiolo, revelando que entre os seus ingredientes eleitos constam também, a título de exemplo, «a mozzarela 100% vaca, que também vem de Itália», bem como “speck”, «um presunto curado com pimentas, também italiano». «Prezo por trazer a Itália para cá», diz. De resto, não dispensa os produtos locais, da Lousã, que elege para compor uma pizza de homenagem ao município do qual fez lar, depois de muitos anos a viver no concelho de Oeiras, onde nasceu. «A pizza Lousã tem uma base de tomate, queijo, castanhas e cogumelos, que vai ao forno e é acabada com rúcula, presunto, queijo de cabra, mel e raspas de limão», revela.
A arte, desvenda, «é muito complexa». «Estou sempre a descobrir coisas novas», diz o pizzaiolo que, aos 41 anos, continua a investir na sua arte de fazer pizzas e a procurar oferecer coisas novas aos seus clientes. «A pizza para mim é algo espetacular. Por mais que eu estude, tenho sempre algo de novo a descobrir», conta, garantindo que esta é uma arte na gastronomia que tem «muita ciência», «desde as fermentações, as temperaturas, a maturação». «Todas as pizzas são diferentes», garante lançando a pergunta: «e o que podemos fazer com simples farinha?». «Focaccia, pizza, pinsa romana...», responde.
Pizzaiolo e formador depois de juventude “meio perdido”
Nem sempre na vida Gonçalo Dionísio soube que era no mundo das pizzas que estava o seu talento. Hoje pizzaiolo e formador na área, começou por trabalhar num McDonald’s, no Taguspark, em Oeiras. «Estudava e trabalhava e ainda estive alguns anos no Exército, tive um café e fui distribuidor numa empresa», recorda, reconhecendo também que andou «meio perdido» na vida. O desejo de «abrir algo» que fosse seu sempre existiu e a sua vocação começou a surgir quando decidiu começar a fazer pizzas para os amigos, que todos elogiavam. Depois, recorda, «comecei a fazer pizzas que congelava para vender a amigos» e às sexta-feiras «tinha sempre uma grande encomenda para a empresa do Licor Beirão». «Quando comecei não sabia nada de nada», conta. Seguiram-se formações e a Cosmos Pizza, pizaria que abriu em 2016 na Lousã, onde permanece. «Se há 10 anos diziam que a minha pizza era boa, hoje é ótima», remata.












