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“O Tempo das Árvores” convida a crescermos juntos

Nova criação do Teatrão para a infância estreia a 10 de janeiro na Oficina Municipal do Teatro, convidando crianças e adultos a refletir sobre crescimento e comunidade

Há histórias que começam devagar, como uma raiz que se infiltra na terra antes de se tornarem visíveis à superfície. “O Tempo das Árvores”, a nova criação do Teatrão destinada a públicos infantis e familiares a partir dos 3 anos, é uma dessas histórias. A estreia está marcada para 10 de janeiro, às 17h00, na Sala Laborinho Lúcio da Oficina Municipal do Teatro (OMT), em Coimbra, dando início a uma temporada que se prolonga até 24 de janeiro.
O espetáculo acompanha o percurso de duas crianças, interpretadas por Afonso Abreu e Eva Tiago, que caminham em busca de uma árvore diferente daquelas que encontram na cidade, “direitinhas” e limitadas pelo espaço urbano. Procuram uma árvore onde se possa subir, tocar o céu e criar um ninho. Ao longo desse caminho, a procura transforma-se numa descoberta: tal como as árvores, também os seres humanos crescem para fora — no corpo, nos gestos, naquilo que é visível — e para dentro, num território mais profundo, feito de emoções, afetos e ligações invisíveis.

A criação parte de uma ideia original de Isabel Craveiro e tem direção de João Santos, inserindo-se no ciclo de programação “Tempo de…”, através do qual o Teatrão tem vindo a propor reflexões sobre o presente a partir de uma postura ativa. «As árvores são, para nós, uma metáfora muito forte para falar do crescimento», explicou o encenador João Santos. «Há um crescimento aéreo, que todos vemos, e um crescimento subterrâneo, que é tão ou mais importante. E muitas vezes é esse que não valorizamos».

Até 7 de janeiro, está disponível um bilhete familiar com condições especiais, que inclui redução no preço das crianças e 50% de desconto para acompanhantes

A metáfora estende-se à ideia de comunidade, «as árvores aparentemente estão sozinhas, mas na verdade estão todas ligadas», sublinhou o encenador. «Entreajudam-se, reorganizam-se para que todas tenham luz. É um ideal de crescimento e de convivência que nos interessa questionar».
Esse pensamento coletivo atravessa também o próprio processo de criação. Para além do trabalho artístico desenvolvido em equipa - que reúne música original de Miguel Cordeiro, cenografia, figurinos e adereços de Morgana Marques, desenho de luz de Jonathan de Azevedo e sonoplastia de Nuno Pompeu -, “O Tempo das Árvores” foi construído em contacto direto com crianças em contexto educativo. «A equipa artística não se resume ao encenador e aos atores, mas a todos os que acompanham o processo do início ao fim», destacou Margarida Sousa, sublinhando uma prática que marca a identidade do Teatrão.

Ao longo da criação, a equipa deslocou-se a uma escola de ensino pré-escolar, onde conversou com crianças dos 3 aos 5 anos, partilhando ideias iniciais, imagens e perguntas que serviram de ponto de partida para o espetáculo. Esses encontros tiveram como objetivo escutar a forma como os mais novos percecionam as árvores, a natureza, o crescimento e as relações, permitindo recolher reações e comentários que ajudaram a afinar a linguagem cénica e a garantir que o espetáculo dialoga verdadeiramente com o seu público principal.
Desenvolvido em estreita colaboração com o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, “O Tempo das Árvores” resulta assim de um cruzamento entre investigação científica, criação artística e escuta ativa da infância.
Com cerca de 40 minutos de duração, o espetáculo assume-se como uma proposta para toda a família, cruzando linguagem poética, pensamento científico e um forte apelo sensorial, disponível até 24 de janeiro. A sessão de estreia contará com audiodescrição e interpretação em Língua Gestual Portuguesa.
Os bilhetes estão à venda na OMT e na Ticketline. Até 7 de janeiro, está disponível um bilhete familiar com condições especiais, que inclui redução no preço das crianças e 50% de desconto para acompanhantes.
Este espetáculo é, à semelhança das árvores que evoca, uma proposta que convida a olhar para o essencial, aquilo que sustenta, mesmo quando não se vê.

Dezembro 31, 2025 . 09:00

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