
Michael Velosa (des)espera por ser português há 15 anos
Filho de mãe britânica e de pai madeirense, Michael Velosa nasceu na Grã-Bretanha.
Contudo, as “fortes ligações” a Portugal, país que visitou com regularidade para passar férias, levaram-no a querer ter nacionalidade portuguesa.
Ainda a viver no estrangeiro, fez o pedido em outubro de 2010 junto do Consulado Português, que posteriormente remeteu o processo para os Serviços Centrais, em Lisboa, do Instituto de Registos e Notariado.
E, assim, se deu início a uma série de obstáculos que ainda não conseguiu ultrapassar.
Em declarações ao Diário de Coimbra, o lusodescendente conta que o primeiro entrave burocrático surgiu pelo facto de ter nascido (um mês) antes do casamento dos pais.
Depois foi o facto de ter sido registado pela mãe, o que o obrigou a apresentar a certidão de perfilhação parental.
Mais tarde era necessário entregar o seu registo criminal.
Os anos foram passando e refere que havia sempre algum documento errado ou em falta, o que fazia com que estivesse sempre a “recomeçar” o seu pedido.
Entretanto, em 2020, veio viver com a família definitivamente para a Figueira da Foz e, sem qualquer avanço no processo na altura, decidiu contratar um advogado na tentativa de acelerar os procedimentos, tal como o nosso jornal já havia noticiado na edição de 31 de julho de 2021.
No entanto, até ao momento, o pedido para obter nacionalidade portuguesa ainda não tem um fim à vista.
«Já se passaram 15 anos e até agora nada feito. Não entendo esta demora», critica Michael Velosa, revelando que a última resposta que obteve foi no início de 2025, em que lhe indicavam que o processo estava aprovado, mas faltava a assinatura do ministro. «Já estamos quase no final do ano… Demora assim tanto pegar numa caneta para assinar?!», questiona.
Lamentando ser o único da família que ainda não conseguiu ter o seu pedido validado, o britânico afirma que tem a «vida suspensa» e que se sente um “zé ninguém” no país que escolheu para viver.
«Para mim é muito difícil. Há pessoas que não têm ligação nenhuma com Portugal e parece que têm mais direitos do que eu. Eu não consigo ir a um médico em Portugal, porque para isso é preciso ter número de utente», repara Michael Velosa, dando este como um exemplo dos vários constrangimentos legais que enfrenta devido à morosidade neste processo.
«Custa dinheiro e é cansativo. O ser humano precisa de estabilidade e são muitos anos com uma nuvem em cima da cabeça», desespera o lusodescendente, afiançando que «ter a nacionalidade portuguesa seria uma ótima prenda de Natal» este ano, já que pretende continuar a viver em Portugal.
O nosso jornal tentou obter esclarecimentos junto dos Serviços Centrais de Lisboa, mas sem sucesso.









