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Um Ninho que dá colo a todos os pequenitos

No Sorriso - Ninho dos Pequenitos há 15 meninos que ali vivem com uma família diferente da tradicional mas onde não falta o amor e os afetos

O silêncio não deixava antever o que ia acontecer dali a nada. As crianças estavam qua­se a terminar a sesta e não sabiam o que as esperava naquela tar­de.

Estava tudo preparado e o Pai Natal já tinha chegado com as prendas para os 15 meninos que vivem no Sorriso – Ninho dos Pequenitos, ali, paredes meias com a Maternidade Bissaya Barreto.

As mesas postas, com tudo aquilo que os miúdos gostam, as roupas da festa preparadas a preceito e as prendas escolhidas ao pormenor para cada bebé ou criança que ali habita. Uns desde que nasceram, outros quando a justiça decidiu que o melhor lar mora(va) ali.

À medida que o relógio avançava, e os olhos dos pequenitos se iam abrindo, a agitação tomou conta do “Ninho”.

Os mais velhos mostravam bem a ansiedade de viver aque­le momento o mais depressa possível. Afinal, como todas as crianças, gostam de receber um presente. E no Natal também.

Entre um mês e sete anos são as idades dos meninos que ali vivem. Uns foram para ali pequeninos e ainda hoje lá vivem. Albertina Costa e Fátima Negrão, respetivamente presidente e vice-presidente da direção do Sorriso – Ninho dos Pequenitos e, em conversa com o Diário de Coimbra, explicaram que todas as crianças que ali estão chegam por ordem do tribunal. Na maioria das situações, a decisão de serem retiradas às famílias é porque os pais «não têm competências parentais para tratar deles». «Outros, menos, são entregues para adoção mal nascem, ainda na maternidade». Por vezes, como explicaram, o fator económico pode ser mais um aspeto para que haja a decisão judicial, contudo, esse «não é um fator de risco», embora muitas vezes «esteja associado». «É importante que se frise que ninguém perde um filho porque não tem dinheiro. Pois essa questão resolve-se. O que acontece, muitas das vezes, é que estes pais já foram filhos de pais abandonantes. Não têm modelos de pais e replicam aquilo que aprenderam», acrescentam.

No Ninho ensina-se a viver com amor e sorriso. E colo, que há sempre para todos, independentemente da idade.

E, naquela tarde, o Pai Natal não só deu colo, como presentes e alegria aos meninos que, a plenos pulmões, chamaram pelo homem das barbas brancas. Quando ele, finalmente (terão pensado os meninos), chegou a alegria foi imensa. E as surpresas mais que muitas. Os meninos que ali residem, de vários pontos do país, podem voltar, ou não, às suas famílias. Depende se querem ou se conseguem reunir condições. Mas sabe-se que há um processo moroso e um caminho lento a percorrer até à decisão final. E está, sempre, nas mãos do tribunal. Por norma, e quando se trata de um processo de adoção, demora sempre no mínimo seis meses. Por norma os pais dessas cri­anças já têm associados relatórios «muito negativos relativamente à parentalidade, com abandonos anteriores de outros filhos, com consumos, com uma série de problemas», explicam Albertina Costa e Fátima Negrão.

O que é certo é que os meninos, os mais crescidos, vão mostrando anseio em ter uma família igual aos dos colegas e amigos da escola. E verbalizam isso. Outros ficam ansiosos quando recebem as visitas dos pais biológicos (quando estas não são proibidas pelo tribunal). Outros ficam felizes e outros ainda chegam a ir a casa em alguns momentos, como vai acontecer esta com duas crianças que vão passar a consoada em família. Já os outros 13 meninos e meninas ficam no Ninho, com quem lhes dá colo e sorriso todo o ano.

Anos houve em que cada um deles foi passar a consoada e o Dia de Natal com as funci­onárias da instituição. Este ano tudo estava preparado para que assim fosse, porém, em cima da hora, houve um parecer negativo de um tribunal e todos os meninos ficam com a sua família do Ninho a viver esta quadra.

A esperança de quem convive diariamente com todos os meninos é que sigam a sua vida quando saem das instituições. Há muitas histórias com finais felizes e muitos dos que ali viveram a infância voltam para mostrar aos filhos, ou apenas para visitar, o local onde cresceram e onde conheceram uma outra família. Alargada, não tradicional, mas onde houve muito colo, amor e um ninho que abraçou todos os pequenitos. E vai continuar a abraçar. Hoje o abraço é natalício e mesmo não sendo vivi­do de forma tradicional, o calor humano e o carinho são presentes garantidos. Os outros já foram desembrulhados no dia em que o Pai Natal foi, ali, de propósito levar.

Dezembro 24, 2025 . 08:00

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