
Cortejo de tratores alerta para “morte” da agricultura
O cortejo com 150 tratores, embelezados com enfeites de Natal, que ontem partiu das Meãs do Campo, Montemor-o-Velho, em direção a outras localidades do concelho, teve como objetivo alertar para uma possível “morte” da agricultura caso as políticas da União Europeia continuem a pressionar o setor.
A ideia nasceu de uma forma espontânea, numa conversa ocasional de nove jovens agricultores que partilham o gosto pela agricultura, atividade que desempenham em exclusividade e, rapidamente, foi colocada em prática. Estes jovens são todos eles residentes e naturais de três freguesias do concelho de Montemor-o-Velho (Meãs do Campo, Arazede e Carapinheira) e, além do momento de beleza que decidiram proporcionar a todos os participantes e espectadores, pretenderam promover união e convívio entre agricultores, uma vez que se está perante uma profissão de elevado desgaste e com níveis de stress acima da média, onde os casos de suicídio são recorrentes.
Paulo Valente, presidente da Junta de Freguesia das Meãs do Campo e jovem agricultor, foi um dos mentores da ideia e, em conversa com o Diário de Coimbra, explicou os objetivos da iniciativa, «pioneira no concelho» de Montemor-o-Velho. «Como a agricultura é uma atividade muito desgastante se os agricultores não tiverem estes momentos de convívio será muito difícil aguentarem e conseguirem prosseguir na sua atividade, dadas as condições que, atualmente, e toda a conjuntura que se faz sentir, serem más e prova disso são as várias manifestações que estão a acontecer neste momento por toda a Europa», sublinhou. Porque, de facto, assume o jovem agricultor, «com os acordos verdes que estão a ser negociados em Bruxelas a atividade agrícola está cada vez mais comprometida». «Este é um cortejo de felicidade, é um cortejo de convívio, mas também é um cortejo pleno de significado, porque nós estamos solidários com eles e sentimos também, na pele, aquilo que são as imposições que nos estão a colocar», precisou.
Agricultores mostram união
«Os mesmos agricultores que hoje (ontem) fazem este cortejo alusivo ao Natal e que tentam que as pessoas sejam contempladas com esta festa, são os mesmos que amanhã, com certeza, estarão na primeira linha a debater-se pelas suas condições de trabalho e pelas regras que estão a ser demasiado apertadas para que possamos continuar com a nossa atividade», referiu, acrescentando que a «fitinha negra» colocada em cada trator «é sinónimo de luto, sinónimo que se algo não for tido em conta pela comunidade europeia os agricultores morrem e deixará de existir alimento nas prateleiras».
Solidário com esta iniciativa esteve o presidente da Câmara Municipal de Montemor. «Este desfile pretende chamar a atenção das pessoas, nesta época natalícia, que os agricultores estão unidos e que, acima de tudo, as pessoas têm de ter noção de que é do trabalho dos agricultores que nos alimentamos», explicou José Veríssimo. «Portanto, é esta mensagem que tem de ser passada. É uma manifestação sem distúrbios, caladinha, mas de qualquer das maneiras, reflete a necessidade que nós temos de nos alimentarmos», finalizou o autarca.
O cortejo saiu do Mercado da Junta de Freguesia das Meãs, na direção de Valcanosa, Meco, Arazede, Cooperativa do Bebedouro, Seixo, Carapinheira e regressou às Meãs do Campo.












