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“Estagnação” no ensino superior necessita “combate urgente”

A Direção-Geral e a Mesa da Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra tomaram posse, numa sessão marcada por agradecimentos e esperanças para o futuro

Fortemente político, o primeiro discurso de José Machado, presidente empossado da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), ficou marcado por severas críticas ao “abandono” do investimento no Ensino Superior. Na mesma sessão, que se alastrou durante várias horas, também tomou posse Francisco Flor, agora presidente da Mesa da Assembleia Magna da AAC (MAM/AAC), e terminaram o seu mandato Carlos Magalhães (ex-presidente DG/AAC) e Diogo Rocha (ex-MAM/AAC).

«O papel da AAC tem sido fundamental na representação estudantil perante as principais problemáticas do Ensino» indicou José Machado em início de declarações. Com atenção aos temas centrais do forum universitário do país, mostrou-se preocupado com o tema da propina e da «prossecução de um Ensino Superior Universal de Qualidade», que considera não existir por “desinvestimento” no ensino.

Mesmo com a preocupação assente no “abandono” do Ensino Superior, o presidente destaca a força do movimento estudantil conimbricense. «Estou ciente de que nenhuma transformação se concretiza por um só ser, mas sim, que reside na força do coletivo», disse.

Natural de Coimbra, admite que cresceu «rodeado pelo losango» e que esta responsabilidade é, também, um «privilégio» e o concretizar de um sonho.

«O legado que assumo transcende-me profundamente enquanto indivíduo e remete-me para a liderança coletiva», facto que sublinhou ser do mais importante. «É de certo modo, o concretizar de um sonho de menino».

"O legado que assumo transcende-me profundamente enquanto indivíduo e remete-me para a liderança coletiva"

Não deixando um dos grandes sucessos de 2025 de fora, o desporto, destacou a organização do Campeonato Mundial Universitário de Desportos de Praia, na Figueira da Foz, em 2026, e sublinha ser necessário «dignificar a carreira do estudante-atleta». «Procuraremos aproximar as secções» principalmente para que possam funcionar como «potenciador do sucesso desportivo» nas diversas modalidades.

Tendo sido uma das peças fulcrais nas atividades culturais da AAC nos últimos anos, José Machado assegurou que as manifestações culturais não estarão esquecidas. «As nossas prioridades passarão pela promoção do quotidiano das nossas secções culturais e sociocientíficas, assegurando que as suas necessidades são asseguradas». O objetivo, admite, é «atuar não enquanto entraves, mas enquanto desbloqueadores» sendo «pragmáticos» nas soluções. Outro objetivo no seio cultural será ultrapassar a linha da «normal atividade seccionista» e das celebrações naturais da AAC, agindo de forma a promover iniciativas «que dignifiquem o nome da Academia Coimbrã».

Apesar de admitir que irá enfrentar «um desafio», reconhece uma importância significativa à reestruturação e reforma da Administração da Direção-Geral. «Queremos garantir a oferta de serviços sustentáveis, funcionais e acessíveis a toda a Academia, quebrando com estigmas do passado e reconstruindo uma relação de confiança com todos os associados», através de uma reforma orgânica de equipa, dos processos utilizados e da forma de atribuir «materiais e infraestruturas» de modo a dar confiança aos estudantes.

“Comunicação regular” no combate às “falhas”

O reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, foi o último a discursar na cerimónia de tomada de posse dos novos corpos dirigentes da Direção-Geral e Mesa da Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra (DG e MAM/AAC, respetivamente). De forma bem-disposta, assertiva e séria, as suas declarações “bailaram” um pouco por todos os discursos feitos anteriormente, e deixaram marcada a sua opinião para o futuro. «Muitas vezes existem temas que me acabam por passar ao lado, não por desinteresse, mas porque a Reitoria acede a muitos eventos e muitos momentos. Deixo aqui o meu pedido ao Zeca [José Machado] para que mantenha um contacto continuo com a Reitoria, comigo, para que possamos analisar as situações de forma interna e perceber como as corrigir», alertou Amílcar Falcão.

Para além de destacar a importância da comunicação interna, reforçou, ainda, o apoio entre UC e AAC. «A Universidade de Coimbra não se vai intrometer nos assuntos da AAC, mas estará sempre pronta e disposta a apoiá-la em todos os aspetos».

O reitor deixou, também um pedido. «Há uma diferença geracional entre nós, mas quero entender os problemas do vosso ponto de vista [dos estudantes] portanto preciso da vossa ajuda para melhor compreender as dificuldades que enfrentam». Um pedido que, de certo modo, serviu de aviso aos futuros reitores. «Quem está à frente da Universidade de Coimbra tem de perceber que tem de estar aberto ao diálogo», referiu ainda

Animação na despedida

Em tom de brincadeira, o reitor comentou os extensos agradecimentos efetuados por quem discursou ao longo da noite, sublinhando que também queria «deixar alguns agradecimentos», passando a “listar” os nomes dos jogadores do S.L. Benfica indicando que «agradeço pelas alegrias que dão ao Carlos Magalhães», uma “ponte” que serviu para defender a grande amizade que mantém com os dirigentes da DG/AAC e que deseja manter com José Machado.

Dezembro 19, 2025 . 08:00

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