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Desafios das mulheres continuam a não ser “bem ouvidos”

Análise efetuada sobre os desafios “na luta transversal contra os estereótipos” deu frutos que foram revelados em Miranda do Corvo. O futuro precisa de paridade

O poder feminino em vários pontos da esfera pública continua subvertido a um lugar secundário ou descredibilizado. Num estudo da FEMACT-Cities, que se iniciou em 2023 e termina no final de 2025, as desigualdades mantêm-se em larga escala e, apesar de ligeiras melhorias, o caminho ainda é longo para chegar ao “destino certo”.

«É factual que há uma evolução do panorama. Mas ainda não é suficiente», explica Rosa Monteiro, responsável pelo grupo de ação local do projeto FEMACT-Cities. De facto, analisando as últimas três eleições autárquicas, os valores oscilaram de 11% de mulheres eleitas para 9%, recuperando em 2025 para 16%, valor mais alto registado. Mesmo assim, a discussão do “porquê” das mulheres não se afirmarem na política, por exemplo, continua em aberto e sem «meter o dedo na ferida».

«É comum dizer que as mulheres não vingam porque “falta qualquer coisa”, mas isso não é propriamente verdade», conta a especialista, relembrando que um dos problemas mais “sistemático” é a falta de aposta dos próprios partidos. «Se dentro dos partidos não existe a procura para chegar à paridade, os números vão ser sempre desproporcionais», explica, elaborando o “Paradoxo das Quotas” em que menciona que «enquanto houver uma quota mínima, será sempre essa a ser atingida e não haverá trabalho para a ultrapassar».

Em conjunto com Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC), agora presidida por Helena Teodósio, presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Rosa Monteiro desenvolveu um estudo intensivo para elaborar “Planos de Ação Integrados para a Igualdade de Género” e constatou-se que «as recomendações estão longe da realidade». «Em termos europeus, a Lei da Paridade é de 50% para cada lado. Em Portugal tentámos levar esse tema para ser aceite, mas tivemos de nos contentar com os 40% de mulheres e 60% homens» facto que considera uma “quase vitória”, mas que desilude as expectativas.

Também interveniente no debate que decorreu em Miranda do Corvo, Helena Teodósio reforçou a importância de compreender o «contexto histórico» e a sua influência nas dificuldades da mulher, destacando que já se fez «um longo caminho» nos últimos 50 anos. «É preciso que se colabore nos espaços de discussão, pública, para compreender este tema. Mas o desejo é que sejamos sempre mais», indica. Na mesma linha, Rosa Monteiro reforçou a importância de garantir um «debate honesto», mas que retrate a realidade e procure fazer uma «análise às dificuldades reais» na vertente política e na comunidade.

José Miguel Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, destacou a importância do debate público sobre «igualdade de género», principalmente em áreas co­mo o poder político. «As mulheres têm uma grande capacidade na gestão e essa verdade é, muitas vezes, subvalorizada», diz o autarca, que sentiu «orgulho» em dar casa a um momento de discussão tão importante. O presidente aproveitou, também, para destacar o avanço da linha do Metrobus que, agora, deixa «Coimbra e Miranda a um metro de distância».

Dezembro 19, 2025 . 11:30

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