
Cartão intermodal Move-C entra em vigor em janeiro
O cartão intermodal Move-C, título único que permitirá o acesso integrado à oferta pública de mobilidade na região – Metrobus e Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra, inicialmente, e depois ao SIT Metropolitano e Comboios de Portugal, foi ontem apresentado, momento que permitiu também analisar as vantagens para a população e divulgar o respetivo tarifário. O objetivo, enquadrado na estratégia de criação de área metropolitana, é o de alargar o sistema a toda a Região de Coimbra, organizada em 19 zonas (uma por concelho).
A prioridade, destacou Ana Abrunhosa na apresentação, é «facilitar a vida às pessoas, reduzir a complexidade do sistema para quem se desloca todos os dias», sem perderem tempo em mudanças de transporte. Ao sublinhar a importância da transparência na informação ao público, porque «clareza gera confiança», a presidente da Câmara de Coimbra defendeu que a mobilidade integrada «é uma condição para a igualdade de oportunidades», com mais acesso ao emprego, à escola, à saúde e à cultura. No fundo, visa «melhorar a qualidade de vida das populações». A autarca espera que os utentes, especialmente os que usam carro, percebam que é mais vantajoso utilizar o Move-C e que «não pensem duas vezes» entre o automóvel e o cartão».
Luís Paulo Costa, vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, reforçou a importância do território ter uma «rede integrada» de transportes que «facilite o acesso ao emprego, à educação, à saúde e aos serviços». Torna «a região mais competitiva, mais atrativa para o investimento e, acima de tudo, melhora a qualidade de vida de quem aqui vive, estuda e trabalha», completou, ao referir que «a intermodalidade é o futuro».
“Facilitar a vida às pessoas, reduzir a complexidade do sistema para quem se desloca todos os dias” é a prioridade, disse Ana Abrunhosa
«Todos vão querer ter o Move-C, que mais do que um cartão é um conceito», sustentou Emílio Torrão, presidente do Conselho de Administração da AGIT (Agência para a Gestão do Sistema Intermodal da Região de Coimbra), ao falar de «um projeto arrojado e ambicioso», reconhecendo que esta primeira fase (aquisição, que exige preenchimento de formulário, ou transição do passe dos SMTUC) será a mais complicada. «É um passo doloroso, vamos ter filas, mas depois a vida fica facilitada», frisou.
A apresentação contou ainda com João Marrana, presidente do Conselho de Administração da Metro Mondego. O cartão fica disponível para levantamento nas bilheteiras da Metro Mondego na Lousã e em Miranda do Corvo, e nas lojas dos SMTUC em Coimbra.
Para os portadores de cartões dos serviços alternativos ao Ramal da Lousã, a emissão do Move-C é gratuita mediante apresentação do cartão existente. Para novos utilizadores, o cartão tem o custo de seis euros, segundo nota de imprensa da Câmara de Coimbra. «Quem já tem cartão SMTUC mantém o mesmo cartão, sendo apenas necessário proceder ao carregamento», acrescenta o documento. Ou seja, a passagem de cartão monomodal para intermodal carece apenas de carregamento.
O passe entra em vigor a 1 de janeiro nos SMTUC e metrobus e pode ser carregado a partir do próximo dia 24.
Passe mensal tem um custo entre 30 e 40 euros
O passe mensal do Move-C (viagens ilimitadas) custa 30 euros se utilizado num só concelho da região, 35 em dois e 40 euros em três municípios. O título pré-comprado tem o custo de um a três euros, dependendo do número de concelhos abrangidos. Estão também previstos bilhetes para um, três e sete dias.
Os antigos combatentes e os jovens (até 23 anos, como diz a lei, referiu Ana Abrunhosa) têm bilhete gratuito. Os beneficiários de complemento solidário para idosos, de rendimento social de inserção e pessoas com deficiência terão bilhetes de 15 a 20 euros e os beneficiários do escalão B (reformados com pensões abaixo de 627 euros, desempregados e agregados com rendimentos médios mensais baixos) terão bilhetes de 22,5 euros a 30 euros.
Não haverá cartão familiar nem reduções para quem tiver mais de 65 anos.
Em Portugal, com exceção da esfera judicial, as leis que definem a idade jovem têm sido meramente indicativas e maleáveis para a decisão política. Por exemplo o IRS Jovem, também consagrado em lei, é até aos 35 anos, e há sistemas de transporte que atendem a especificidades da formação superior, que por vezes implica permanência além dos 23 anos.
O anterior executivo municipal tinha estabelecido que asseguraria por meios próprios a manutenção dos descontos vigentes nos SMTUC para os seus munícipes no passe intermodal, nomeadamente para cidadãos com idade superior a 65 anos, funcionários municipais e bombeiros voluntários, entre outros.
Ontem, Ana Abrunhosa disse que os beneficiários desses descontos não o terão no regime intermodal, mas apenas nos SMTUC.
A questão vai ser negociada com o Governo, avançou a autarca, para reforço de verba de subsidiação, já que a autarquia teria de financiar, neste momento, a diferença, que anda na ordem dos dois milhões de euros anuais.











