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Viena, 1967

Dezembro 17, 2025 . 17:00
"O programa do “novo radicalismo de direita” parecia-lhe vazio. O que o alarmava era o reaparecimento de técnicas de comunicação já conhecidas..." | Texto de Opinião de Gil Baptista Ferreira

Estávamos em maio de 1967. Numa sala cheia da Universidade de Viena, o filósofo alemão Theodor W. Adorno subiu ao púlpito para falar de um passado ainda demasiado presente: o regresso da extrema-direita alemã, pouco mais de vinte anos após o fim da guerra. Fundado em 1964, o NPD ganhava expressão eleitoral e reintroduzia no debate público ideias que a história parecia ter encerrado. Adorno, judeu, forçado ao exílio nos Estados Unidos e regressado com a missão de contribuir para a reconstrução de uma cultura democrática, reconhecia nesse crescimento sinais inquietantes. Este foi o tema da conferência, conhecida durante décadas apenas através de uma gravação e publicada em 2019 (Aspetos do Novo Radicalismo de Direita, Edições 70).

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