Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Sete anos de brinquedos para brincar à moda antiga

Entre giestas, canas e castanhas, o Museu Escola do Brinquedo celebrou o aniversário com crianças a redescobrir o brincar simples, criativo e ligado a natureza

O Museu Escola do Brinquedo, localizado em Cernache, celebrou segunda-feira o seu 7.º aniversário com uma visita especial de cerca de 40 alunos do 1.º ciclo e do pré-escolar da Escola Básica de Figueiró.

A data foi assinalada com um conjunto de atividades lúdicas e educativas que proporcionaram às crianças um contacto direto com brinquedos tradicionais, construídos a partir de materiais naturais, como cascas de castanhas, espigas de milho, canas, raminhos de giesta e folhas de loureiro. A visita foi pensada para permitir aos alunos conhecer formas de brincar de outras gerações, incentivando a criatividade e o trabalho manual, ao mesmo tempo que reforçava a ligação à natureza e ao meio envolvente. Ao longo da manhã, as crianças tiveram oportunidade de perceber como, no passado, os brinquedos eram feitos com os recursos disponíveis, recorrendo sobretudo à imaginação e à partilha de saberes transmitidos oralmente.

A iniciativa foi orientada por João Amado, antigo professor da Faculdade de Psicologia e atual mentor da Escola do Brinquedo, com a colaboração de Narcindo Cunha, Ana Margarida Vicente e Carlos Silva. O grupo acompanhou os alunos nas diferentes oficinas, explicando a origem dos brinquedos, os materiais utilizados e o seu significado no contexto das tradições populares.

Divididos em pequenos grupos, os estudantes participaram em várias atividades práticas, construindo objetos como colheres de casca de castanha, gaitas de pau de loureiro e “cadeiras” de giesta. Cada brinquedo foi enquadrado historicamente, com referências a práticas antigas e a tradições associadas ao brincar, permitindo às crianças compreender a dimensão cultural destes objetos simples. Um dos momentos de maior envolvimento foi a construção da gaita de pau de loureiro, em que os alunos aprenderam a cortar o ramo, a realizar a incisão necessária e a produzir som através da colocação da folha de louro. A atividade despertou particular curiosidade, ao demonstrar como um objeto rudimentar pode ganhar vida através do som.

Para além das oficinas práticas, as crianças tiveram ainda contacto com explicações teóricas sobre outros brinquedos tradicionais, como a ventoinha de cana, a balança de cana, a espingarda de cana e a boneca de papoila. Estes exemplos ajudaram a ilustrar um tempo em que o brincar estava profundamente ligado ao quotidiano rural e às atividades agrícolas, como acontecia com a espingarda de cana, usada de forma simbólica para “caçar” uvas esquecidas nos campos após as vindimas.

A Escola do Brinquedo assume-se, assim, não apenas como um espaço expositivo, mas como um centro educativo dedicado à valorização do património cultural imaterial e à sensibilização para práticas sustentáveis. João Amado recordou que o edifício foi, antes de museu, uma escola que frequentou durante a infância, sublinhando a carga simbólica do espaço e a importância de o manter vivo através de iniciativas dirigidas aos mais novos.

Apesar de a afluência de visitas escolares ter diminuído nos últimos tempos, a comemoração do 7.º aniversário constituiu uma oportunidade para reforçar a missão do museu e despertar novamente o interesse pelas atividades ali desenvolvidas. O Museu Escola do Brinquedo continua, assim, a afirmar-se como um local de encontro entre gerações, onde o passado é transmitido de forma prática e significativa as crianças do presente.

Dezembro 16, 2025 . 18:37

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right