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Olhares artísticos reinterpretam direitos humanos em Arganil

No âmbito da Educação para a Cidadania, alunos, professores e famílias assinalaram o Dia Internacional dos Direitos Humanos, dando conta do percurso de luta, mas também dos atropelos sucessivos que, em tempos conturbados como os de hoje, continuam a ser uma ameaça real

“Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso...” é assim que começa o poema de Jorge de Sena intitulado “Carta aos meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya”. Criteriosamente selecionado pelo professor de Português e coordenador da Estratégia para a Cidadania do Agrupamento de Escolas de Arganil, para celebrar o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Um poema extenso, declamado pelos alunos do 12.º C na sessão comemorativa do Dia Internacional dos Direitos Humanos, que decorreu no dia 10, na Sala Guilherme Filipe, no Edifício da Câmara Municipal de Arganil.

O objetivo foi passar a mensagem de que «é preciso estar atento ao que se passa no mundo, saber que em muitas partes do planeta, há pessoas que se defrontam diariamente com o atropelo dos seus direitos humanos », tal como foi referido por uma das alunas na apresentação, lembrando que «tal também se passa mais perto do que possamos pensar».

Este foi um dos momentos de uma sessão que juntou outros alunos do Agrupamento, alguns deles autores dos trabalhos artísticos que integram a exposição “Olhares sobre os Direitos Humanos”, que esteve patente no Edifício da Câmara Municipal de Arganil.

A sessão começou com a apresentação a cargo das alunas do 12.º C, Isabel Pires e Beatriz Gonçalves, acompanhadas pelos colegas de turma, com t-shirt’s brancas com cada uma das letras da expressão “Direitos Humanos”. Seguiu-se um momento musical a cargo de um quarteto de trompetes, constituído por três alunas do ensino articulado de música do Conservatório de Música de Coimbra que, com orientação do professor Adriano Franco, apresentaram várias músicas alusivas à temática dos Direitos Humanos.

A Fátima Maia, professora de Artes Visuais, coube uma breve explicação sobre os trabalhos em exposição. A professora começou por felicitar todos os alunos que participaram, referindo depois que o cartaz de entrada foi concebido pelos alunos do 7.º ano com a impressão da mão de cada um dos alunos. Já o fundo, a azul, representa uma íris e terá sido desenvolvido pelos alunos de Multimédia, a partir de uma desenho de Miguel Lopes, aluno do 11.º ano de Artes Visuais, tal como ele próprio explicou ao Diário de Coimbra.

Depois, os alunos do 10.º ano de Artes Visuais preferiram «fazer uma interpretação de um ou outro dos Direitos Humanos» recorrendo à técnica da aguarela. Já os alunos do 11.º ano, de Artes Visuais, escolheram uma personalidade que se tenha destacado na defesa dos Direitos Humanos e retratou-a, como se pôde ver na exposição. E não faltaram nomes como Nelson Mandela, Winston Churchil, Simone Veil, MalalaYousafzai, Carolina Beatriz Ângelo, entre outros. O jovem Django Carvalho, aluno do 11.º ano, explicou ao Diário de Coimbra a razão da sua escolha. Winston Churchil que representou a grafite sobre papel, definindo-o na memória descritiva como «um penhasco que resistiu à tempestade do totalitarismo». Com «um olhar muito expressivo», Django quis mostrar como a determinação de Churchil foi vital. «Para lá da guerra.., a sua voz tornou-se a semente de uma ideia maior : a dos Direitos Humanos», explica Django.

Já Carolina Guerra, também do 11.º ano, escolheu a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que retratou com lápis de cor e de cera que lhe conferem cores leves, como forma de simbolizar «a força silenciosa das meninas que lutam para aprender». Já ao colega Miguel Lopes coube a tarefa de retratar Simone Veil, política francesa que sobreviveu aos campos de concentração, e que «pela sua força, pela sua história de resistência e coragem na luta pelos direitos da mulheres», fascinou Miguel Lopes que confessou que antes deste trabalho, não conhecia esta personalidade. O jovem aluno explicou ainda que, no retrato de Simone Veil, associou girassóis, papoilas e borboletas, aos quais atribuiu um significado (esperança, coragem e persistência), essenciais para lembrar que «nada é dado, tudo é conquistado».

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Dezembro 16, 2025 . 17:59

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