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Bombeiros de Tábua anseiam pela terceira Equipa de Intervenção Permanente

Corporação tem duas Equipas de Intervenção Permanente e a terceira, notou o comandante Rui Leitão, “não é um luxo, é uma necessidade real”

Os Bombeiros Voluntários de Tábua comemoraram ontem 90 anos de vida, de «serviço humilde» e de «coragem silenciosa», de proteção à comunidade da vila, que responde com apreço, de que é exemplo a casa cheia, ou melhor, repleta, no salão nobre do quartel. Por ali faltam meios, mas sobra a vontade de ajudar, vinda dos lemas da “vida pela vida” ou do “nunca tremas”.

Rui Leitão, comandante dos Voluntários, fez ontem um retrato resumo da operacionalidade e da missão, reivindicou e agradeceu. E agradeceu às entidades, às empresas, às pessoas individuais, à Câmara e a outras entidades, deixando para o fim do discurso a parte mais difícil, porventura a mais importante, ao falar dos seus bombeiros e respetivas famílias.

«Pelos que aqui estão, pelos que já cá estiveram, pelos que partiram, pelos que serviram em silêncio, peço a todos uma salva de palmas, forte e longa, para os homens e mulheres deste corpo de Corpo de Bombeiros». O aplauso que se seguiu só rivalizou com o da homenagem a Sónia, Susana e Paulo, operacionais de Vila Nova de Oliveirinha, também no concelho de Tábua, que perderam a vida em combate, após referência de Luís Sousa, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra.

Aniversário Bombeiros De Tábua 2

Voltando ao discurso de Rui Leitão, o comandante reiterou, dirigindo-se ao presidente da Câmara, Ricardo Cruz, a necessidade de uma terceira Equipa de Intervenção Permanente (EIP). «Não é um luxo, não é um capricho, é uma necessidade real», sustentou, ao defender uma análise ao atual modelo assente em voluntariado, que «está a mudar, os jovens «já não têm a disponibilidade de outrora».

Ao presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tábua, Rui Andrade, deixou palavras de reconhecimento, extensivas aos restantes órgãos sociais, por ter feito algo que parecia «impossível», mas hoje os bombeiros têm condições dignas, camaratas, balneários, entre outros meios, como os equipamentos de proteção individual, «que finalmente pertencem a cada bombeiro». «Valorizar os bombeiros não é uma despesa, é proteger vidas», realçou.

Dirigindo-se depois ao presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Manuel Moura, o comandante sublinhou a «resposta operacional de excelência» dos Bombeiros de Tábua, que nos últimos três anos «subiu e muito» a atividade: só no DECIR (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais) «foram percorridos mais de 23 mil quilómetros», observou, ao notar resultados «com meios limitados e veículos envelhecidos». O mais recente Veículo Florestal de Combate a Incêndios de Tábua tem… 29 anos.

Famílias, “o lado mais difícil”

Neste quadro, Rui Leitão defendeu que as entregas de veículos «não podem continuar a ser feitas apenas pelo critério das áreas de risco, mas sim pelo «critério da operacionalidade efetiva de cada Corpo de Bombeiros». Que se «olhe para quem trabalha, para quem forma equipas, para quem nunca falhou e sempre responde com firmeza, mesmo com limitação de meios», sugeriu.

Na reta final da intervenção, depois de falar para os seus bombeiros «únicos», «incansáveis», «duros quando a dureza era a única forma de avançar», «generosos quando a generosidade parecia impossível» e «persistentes quan­do muitos já teriam desistido», Rui Leitão falou do «lado que ninguém vê (…), que ninguém agradece o suficiente».

Ele, que no início do verão foi pai e viu o filho crescer dia a dia por um ecrã de telemóvel, pediu publicamente desculpas às famílias dos bombeiros, «às heroínas e heróis» que esperam pela chamada, que «lidam com o silêncio, com a ausência, com o medo disfarçado».

Houve «férias interrompidas, almoços cancelados, aniversários por celebrar», mas «estivemos sempre juntos, unidos». Enquanto comandante, acrescentou, estive sempre com eles, nunca os deixei». «Nem os deixarei», prometeu.|

Aniversário Bombeiros De Tábua 1

Dívida de 400 mil euros totalmente liquidada

Numa sessão que contou com vários intervenientes, Luís Sousa, presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Coimbra, reclamou carreiras dignas e criticou o facto de o INEM não pagar desde agosto. António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, precisou que a dívida o INEM ia, ao dia de ontem, nos 35 milhões de euros, e prometeu estar na linha da frente pela carreira e estatuto remuneratório.

José Manuel Moura lembrou que 167 municípios solicitaram EIP, na atribuição de 20. Em 2026, serão constituídas mais 20, disse, ao encorajar o presidente do município: «que nunca lhe doa a mão para passar cheques aos bombeiros». Na sua intervenção, Ricardo Cruz devolveu o estímulo a José Manuel Moura: «que nunca lhe doa a mão para pagar 50% dos ordenados das EIP».

O autarca, que mencionou a entrega de equipamento de proteção individual a 120 bombeiros, num investimento próximo dos 20 mil euros, lembrou que a dívida da Câmara às duas associações de bombeiros do concelho, que em 2021 andava pelos 400 mil euros, está totalmente liquidada.

Dezembro 15, 2025 . 08:45

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