
"Repetentes" voltam a impor o ritmo na cidade dos estudantes
Ricardo Ferreira Santos
Quatro mil! A 47.ª S. Silvestre de Coimbra animou ontem as ruas de Coimbra naquela que é uma enorme festa do atletismo. Uma multidão que coloriu a cidade, com particular epicentro na Praça Heróis do Ultramar. A ausência de chuva e o pouco frio que se fez sentir ajudou à festa e os “craques” presentes valorizaram sobremaneira a competição.
Não vêm a Coimbra para passear, mas para ganhar. André Pereira, no ano passado e com a camisola do Benfica, fechou a competição com um tempo notável abaixo da meia-hora. Este ano, já a defender os bracarenses do Santa Tecla ainda melhorou e fechou a competição em 29’15, o que lhe garantiu o “ouro” numa vitória incontestável. Pouco depois chegou Davide Silva (Braga) que ficou com a “prata” e o pódio fechou com Hermano Ferreira (Escola de Atletismo de Coimbra) que este ano apadrinhou a competição e que, recorde-se, tinha sido 5.º na edição de 2024.
O “top 5” fechou com uma dupla do Centro Popular de Trabalhadores de Sobral de Ceira: Francisco Graça e Afonso Oliveira.
Entre as senhoras, brilhou Solange Jesus. A “craque” do Braga aqueceu para a competição de sorriso no rosto e terminou da mesma forma e com a mão direita ao alto com os cinco dedos levantados. São cinco edições a vencer em Coimbra e, desta feita, com o tempo de 34’05. Quase um minuto e meio de vantagem sobre Rafaela Fonseca (Beira-Mar) que ficou com a “prata”, tendo Joana Ferreira (Beira-Mar) fechado o pódio da geral. Maria Andrade (individual) e Karen Mendes (Academia de Condeixa) fecharam o “top 5”.
E a festa foi de todos. A correr ou a andar, dos pequenos aos graúdos, muitas famílias na caminhada e sobretudo sorrisos na partida e muito suor à chegada e, mesmo transpirados, não faltaram beijos carregados de amor e orgulho e muitos abraços pela “missão cumprida”.
Jovens abriram a tarde
A tarde abriu com a festa dos mais jovens na mini S. Silvestre que mostraram que o futuro da modalidade está assegurado e muitos, até ficaram depois para a prova dos “graúdos” que cumpriram em família.|
Foco em continuar a elevar a fasquia

Luís Gaspar é o rosto principal de uma organização que continua a cargo da Escola de Atletismo de Coimbra e apesar do cansaço evidente, o dirigentes estava feliz. «Este ano tivemos uns contra-tempos com os quais não contávamos e houve falta de compromisso, mas hoje correu tudo muito bem e foi o melhor dia. Correu dentro do que nós estamos habituados e dentro do que tínhamos previsto. Para mim, é mais uma edição de sucesso», disse ao Diário de Coimbra.
Se em 2024 uns apontavam aos 3.500 e Luís Gaspar disse logo que acreditava nos 4 mil (número que se cumpriu), este ano, o organizador acredita que para 2026 a S. Silvestre pode chegar «aos 4.500/5.000». «Vem aí uma taxa de inscrição da Federação Portuguesa de Atletismo, estou um bocado cético e apreensivo em relação a isto, penso que pode prejudicar o atletismo e vamos ver como é que as pessoas vão reagir, mas da nossa parte, já sabem que da nossa parte vamos fazer mais e melhor, não tenham dúvidas nenhumas», concluiu.
E se na competição houve “repetentes” a ganhar, em representação da Câmara de Coimbra houve um estreante: Ricardo Lino. «A S. Silvestre, ao longo dos últimos anos, tem sido um caso de sucesso. É uma prova cada vez mais consistente e que tem vindo a crescer. Este ano foram 4.000 o que é um enorme sucesso», disse ao nosso jornal o vereador com o pelouro do desporto. Para 2026, a meta passa por «tentar melhorar esta prova que é um sucesso». «Esta é já uma prova clássica e é muito bom ver esta dinâmica e esta moldura humana», enalteceu Ricardo Lino.
Hermano Ferreira foi uma das estrelas do dia. «Nem ia correr a última tinha sido mesmo em 2024, mas convidaram-me para padrinho e parecia mal não correr», disse-nos antes da partida entre sorrisos e «muito feliz». Desafiado a falar à multidão foi parco em palavras, mas muito sentido: «Muito obrigado a todos por terem vindo. Sejam felizes».












