
Câmara silenciou pregões das peixeiras nas ruas de Coimbra
Apresentando-se com vereação renovada desde o penúltimo dia do ano de 1937, a Comissão Administrativa da Câmara de Coimbra, que continuava sob a presidência de Ferrand Pimentel de Almeida, iniciou o novo mandato determinada a robustecer os cofres municipais com novas receitas, reforçando a fiscalização e cobrança de impostos, em particular sobre o trabalho e a atividade comercial.
Na edição de 6 de fevereiro de 1938, o Diário de Coimbra dava conta de algum excesso no rigor com que, de um momento para o outro e sem disso dar prévio conhecimento público, a Câmara começara a aplicar à venda ambulante o Código de Posturas Municipais, abrangendo nesta nova orientação fiscal os pequenos proprietários e agricultores que, em época própria, aqui se dirigiam para vender a suas frutas e hortaliças. Ilustrava com o exemplo de «um pobre agricultor que nos últimos dias de janeiro resolveu vir à cidade vender uns molhos de grelos e desde o Calhabé até à Portagem foi assediado por vários executores do Código de Posturas», prometendo «não voltar porque não ganhou para sustos».
Dias depois, a 17 de fevereiro, o jornal reparou na ausência dos «característicos pregões do grupo alegre das peixeiras figueirenses que, quase todos os dias, quando o tempo e o mar o permitem, percorre as ruas coimbrãs e galga todos os seus bairros».
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