
Recolha de resíduos urbanos pode passar para a Águas de Coimbra
Coimbra quer implementar princípio de poluidor-pagador na área dos resíduos urbanos, com recompensa a quem recicla mais e melhor, tal como sucede em outros municípios do país. Neste processo, a Câmara reuniu com a Águas de Coimbra (AC), estando em análise a possibilidade de a empresa municipal alargar o seu âmbito de ação e iniciar limpezas no centro urbano.
A informação foi partilhada pela presidente da Câmara na última reunião camarária, em que foi aprovada a Taxa de Gestão Resíduos (TGR) para 2026, sem alterações face a 2025, com os votos favoráveis da coligação Avançar Coimbra, do Chega e do vereador João Francisco Campos (Juntos Somos Coimbra). Os restantes quatro elementos da JSC abstiveram-se, depois de José Manuel Silva assinalar que a manutenção da taxa, face à redução da tarifa de reposição em aterro, pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, de 75,30 euros para 60,34 euros, significa «um lucro» de 20% para a autarquia, que deveria reverter, em parte, para benefício dos munícipes.
Recorrendo à experiência enquanto presidente de freguesia, João Francisco Campos notou que «há um caminho longo» e investimentos a fazer em recursos humanos e maquinaria, sendo «importante que a receita» seja usada para esses fins. Também importante, considerou, seria iniciar o caminho para a criação de uma empresa municipal de resíduos, o que, referiu, tinha a concordância do anterior presidente. Cidades da dimensão de Coimbra têm empresas municipais nessa área, disse, colocando a possibilidade de as Águas de Coimbra entrarem no processo ou criação de empresa própria, o que resultaria numa maior agilidade, por exemplo na contração de pessoal.
Projeto no Município da Maia é “inspiração” para Coimbra, diz a Câmara
«Não poderia estar mais de acordo», concordou Ana Abrunhosa, ao explicar que houve uma reunião com a AC, de que resultou recetividade à possibilidade de iniciar limpeza de centros urbanos, ampliando o seu âmbito para empresa de ambiente. Passar a gestão de resíduos para as freguesias, por delegação e competências, «não é duradouro», não vão investir em maquinaria, o que é compreensível, reconheceu, para depois reforçar que uma empresa municipal teria uma resposta diferente, flexibilidade, gera escala, «como existe em outros municípios, de que a Maia é exemplo e «inspiração» para Coimbra.
Só que, observou, os valores para implementar o sistema “Pay-As-You-Throw “ e desligar o pagamento de resíduos da fatura da água são muito elevados, o valor que resulta da manutenção da tarifa não chega e será preciso, equacionou, fazer candidatura diretamente à Comissão Europeia.
O Município da Maia, que recompensa a reciclagem, usa contentores eletrónicos que monitorizam as recolhas, incluindo biorresíduos, que permitem pagar pelo que realmente se deita fora, com faturas em que surgem especificam débitos e créditos. É «um investimento muito grande, em mais contentores, contentores individualizados, tecnologia», mas «Coimbra tem de fazer esse caminho», defendeu Ana Abrunhosa, deixando a sugestão de um eventual programa-piloto no canal HORECA (hotelaria, restauração e cafetaria), com criação de incentivos.











