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Envelhecimento traz doenças crónicas e SNS tem de se adaptar

Manuel Santos, diretor científico do MIA - Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento de Portugal foi orador no Congresso em Envelhecimento Ativo e Saudável que decorreu em Coimbra

O diretor científico do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA) de Portugal, Manuel Santos, disse que a população está a envelhecer com múltiplas doenças crónicas, sendo necessária uma adaptação do SNS.
Neste momento, os utentes «estão a envelhecer com múltiplas doenças crónicas, com uma prevalência muito elevada», situação que «vai agravar-se», porque a expectativa de vida vai continuar a aumentar aceleradamente, afirmou, na sessão de abertura do 12.º congresso em Envelhecimento Ativo e Saudável da Região Centro, em Coimbra.
Na sociedade portuguesa, houve uma rápida mudança na pirâmide etária e, apesar de o SNS se ter modernizado e adaptado, a sua estrutura funcional e organizacional «não se alterou significativamente». «Há aqui uma necessidade de adaptar o SNS a uma pirâmide etária que é muito diferente daquela» que estava em vigor quando o sistema foi criado, na década de 70 do século XX.
De acordo com o responsável, «nunca até hoje a esperança média de vida atingiu os valores» atuais, uma mudança rápida, cuja adaptação tem sido difícil. Atualmente «há uma enorme lista de doenças crónicas», com destaque para a diversidade, mas também para a prevalência a partir dos 65 anos, atingindo 40% a 45% da população.

Ana Abrunhosa afirmou que o MIA é um projeto intergeracional da cidade, para responder aos desafios do envelhecimento

Caso nada seja feito, «aquilo que vai acontecer é que o aumento da esperança média de vida vai ser acompanhado com o aumento de indivíduos com doenças crónicas e obviamente isso tem um custo pesado», reforçou.
Segundo Manuel Santos, o MIA, que será inaugurado no próximo ano (ver texto nesta página) irá desenvolver projetos piloto na população, visando a produção de conhecimento para posterior transmissão, além de tentar criar uma espécie de ‘cowork’ com milhares de pessoas, em conjunto com a Unidade Local de Saúde (ULS), para juntar dados e «determinar trajetórias de saúde». O também professor da Universidade de Coimbra apontou, entretanto, que um envelhecimento saudável, além de ser alcançado através de políticas públicas, depende também de ações individuais, como a prática de exercício físico, ter atenção ao consumo de álcool e de tabaco e de uma alimentação saudável. Ainda no âmbito dos cuidados de saúde, fez a ressalva de que, atualmente, eles estão muito centrados em centros de saúde e em hospitais, embora a medicina preventiva e uma educação para hábitos de vida saudáveis sejam indispensáveis.
Também presente na sessão de abertura, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, afirmou que o MIA é um projeto intergeracional da cidade, para responder aos desafios do envelhecimento.

Dezembro 11, 2025 . 09:20

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