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Um olhar sobre os desafios que podem redesenhar a democracia

A apresentação do livro de David Dinis, ontem em Coimbra, motivou um debate sobre riscos políticos e a responsabilidade cívica

Como seria Portugal numa realidade em que o Chega estivesse no poder? Foi a partir deste cenário que se desenvolveu a apresentação do livro “Como Proteger a Democracia”, do jornalista David Dinis, ontem no Clube Tiro & Sport, em Coimbra, com moderação do deputado Gonçalo Capitão e por iniciativa do Instituto Superior Miguel Torga e do ISCAC - Business School. A obra assume um propósito pedagógico de alertar para riscos silenciosos e incentivar o pensamento crítico, sobretudo entre as gerações mais jovens e expostas ao espaço digital.
Gonçalo Capitão destacou a longa experiência profissional do autor e sublinhou que o livro parte de uma simulação de um governo do Chega, concluindo com o retrato do diálogo entre partidos moderados antes da derrota eleitoral. Para o deputado, o trabalho de David Dinis evidencia a velocidade com que fenómenos populistas se têm normalizado na esfera pública, seguindo padrões já observados em países como Hungria, Polónia ou Estados Unidos. Entre as questões centrais levantadas pela obra está o custo da estabilidade, ou seja: «Quanto estamos dispostos a perder para garantir estabilidade e segurança?», resumiu.

Proteção da democracia «não é tarefa exclusiva dos decisores políticos»

David Dinis explicou que a motivação maior para escrever o livro surgiu na noite das últimas legislativas, ao perceber que o Chega se aproximava - e ultrapassava - partidos estruturantes da democracia portuguesa. Com 28 anos de jornalismo, recorreu a dados, sondagens e estudos comparativos para analisar o que estes movimentos defendem publicamen­te e como atuam quando chegam ao poder noutros países. Sublinhou ainda que a democracia «não se faz só no dia das eleições» e que uma das tarefas do jornalismo é «ligar os pontos», contribuindo para escolhas eleitorais conscientes.
O autor reforçou a importância do debate público, sobretudo num contexto em que mensagens simplificadas circulam rapidamente nas redes sociais. A obra pretende, por isso, ser um contributo para compreender o impacto real de propostas políticas que, noutros países, já levaram à concentração de poder, alterações às regras democráticas e controlo da comunicação social.
No encerramento, o autor reforçou que o livro pretende funcionar como alerta, mas também como convite à ação. Defendeu que a proteção da democracia «não é tarefa exclusiva dos decisores políticos», envolvendo escolas, media, associações e cidadãos. Para David Dinis, apenas com uma cultura democrática «mais exigente, mais transparente e mais participada» será possível preservar a qualidade das instituições e garantir que o sistema resiste a ciclos de tensão política ou a eventuais avanços de movimentos extremistas.

Dezembro 10, 2025 . 08:20

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