
Programa de Inclusão Social soma mais de 4.400 horas de superação na Figueira da Foz
A Associação Desportiva Naval Remo (ADNR) assinalou o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência com a apresentação pública do balanço do primeiro ano do Programa de Inclusão Social (PIS) de pessoas com deficiência através dos Desportos Náuticos.
A iniciativa, financiada pelo Fundo Social Europeu - CENTRO2030 e por empresas locais, já totaliza mais de 4.400 horas de treino e preparação, proporcionando a crianças e jovens com necessidades educativas especiais a prática regular de desportos náuticos.
A Inclusão Através do Remo, Canoagem e Surf
O projeto, que visa combater o isolamento social de 30 crianças e jovens com Perturbações do Neurodesenvolvimento, oferece a prática regular e gratuita de quatro modalidades: Remo, Canoagem, Surf e Stand UpPaddle (SUP), utilizando a água como elemento catalisador de superação.
"Este projeto, para nós, é também uma conquista, uma vitória, porque, há cerca de um ano e meio, quando começámos a pensar em fazer a candidatura, sabíamos que tínhamos uma obra gigantesca pela frente...", realça o presidente da ADNR.
"A inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais é um problema da nossa sociedade e esta só é inteiramente justa se for solidária e se conseguir colocar estes casos no centro das prioridades sociais, educativas e também desportivas”, destaca Nelson Silva.
Validação Científica da Universidade de Coimbra
O PIS conta com a colaboração da Faculdade de Ciências e Desporto da Universidade de Coimbra, um apoio que, explica a Professora Maria João Campos, “prende-se com a avaliação do impacto deste Projeto de excelência na aptidão física, autoestima e bem-estar destes jovens atletas”.
“A implementação deste programa tem impactado, positivamente, estas crianças e jovens ao nível da inclusão no desporto, na escola e na comunidade”, sublinha Maria João Campos.
Os resultados apresentados demonstram melhorias notórias nos indicadores de aptidão física dos jovens, com dados comparativos de testes como o Senta e Alcança e a Flexão Isométrica (outubro/2024 vs. Outubro/2025).
A cada dia uma superação
“Este Projeto é uma oportunidade de integração social para estes alunos, porque se não fosse o PIS eles não teriam oportunidade de realizar este tipo de atividades, uma vez que para além das limitações cognitivas que eles têm, estas crianças e jovens têm, em muitos casos, carências socioeconómicas o que dificulta a possibilidade de realizar atividades extracurriculares”, realça a coordenadora do Ensino Especial do Agrupamento de Escolas Figueira Mar, Cláudia Monteiro.
“O que eu consigo auscultar junto dos nossos alunos é que eles estão felizes, estão motivados e, a cada dia conseguem superar-se”, acrescenta a coordenadora.
"Gostava de poder vir mais vezes"
“Gosto muito de estar no Remo. O senhor Daniel (treinador) tem um gosto em ensinar e eu gosto muito de cá estar. São boas pessoas e ensinam muitas coisas. O Remo é um desporto que nos faz muito bem. O funcionamento é muito bem cuidado. Gostava de poder vir mais vezes”, refere Nicole Santos, aluna do Agrupamento de Escolas Figueira Mar.
Atualmente, o PIS tem 20 crianças/jovens – desde o 4.º ano de escolaridade até ao secundário – mas o objetivo passa por chegar às três dezenas crianças e jovens abrangidos.
De realçar que o PIS conta com um orçamento de cerca 211 mil euros (a 3 anos), sustentado pelo Fundo Social Europeu e por investidores sociais que se assumem como "Agentes de Mudança", garantindo a prática regular de desportos náuticos completamente gratuita para as crianças. As empresas locais que tornaram este Projeto possível são: Microplásticos, Somisis, Dragon Expertise Lda, Quinta do Outeiro – Lar para Idosos, Lupahoteis – Exe Wellington, que à sua conta contribuíram com mais de 46.000€.
Atualmente, há um aluno inserido no PIS que já é atleta federado de remo e que já participou em duas provas, a representar a Naval Remo.











