
Julgado por tentar matar a mulher com uma motosserra
Depois de a agredir e arrastar pelos cabelos, perseguiu a mulher com um machado, com um pau e com uma motosserra em funcionamento. A vítima contou com ajuda de um filho e dos vizinhos até à chegada da GNR que deteve o agressor, um padeiro de 48 anos, que vai ser julgado pela prática dos crimes de homicídio qualificado na forma tentada e violência doméstica agravada.
O crime foi cometido na residência do casal, na Sanguinheira, em maio deste ano após largos anos de maus tratos. Segundo a acusação do Ministério Público, desde o início da relação, o arguido «sempre demonstrou perante a vítima feitio ciumento e desconfiado, acusando a vítima, frequentemente, de não sair de casa para trabalhar e dizendo-lhe que ela “ia ter com outros homens”». Nesses momentos, o arguido «mostrava-se especialmente exaltado», fazendo a mulher temer que este «empreendesse contra a sua pessoa, agredindo-a fisicamente ou, até, matando-a».
Nesse dia de maio, o arguido soube que a mulher se dirigiu a um café após o trabalho, na zona da Tocha, e logo revelou o seu desagrado dizendo-lhe: “Quando chegares a casa, a gente conversa”. Nesse dia, o casal dormiu em divisões distintas com o arguido a perguntar à vítima se achava que «andava a proceder bem».
No dia seguinte, a mulher perguntou-lhe se ele queria ir à feira da Tocha com o filho que reside na mesma casa, mas o arguido não quis e ficou em casa. Segundo o Ministério Público, a filha do casal (que vive em França) ligou ao pai dizendo-lhe que a mãe o andava a trair, o que motivou que este ligasse à mulher mandando-a voltar a casa. “Vem para casa que preciso de falar contigo! Vem para casa, senão vou atrás de ti!”, disse à vítima, acrescentando: “Tenho a faca espetada na mesa para te matar”.
Intervenção do filho e dos vizinhos até à chegada da GNR foi decisiva para impedir uma tragédia
A mulher foi então para casa mas o seu filho terá ido antes e quando viu uma faca espetada na mesa do pátio pegou nela e escondeu-a. Quando a vítima chegou, o arguido contou-lhe o que dissera a filha de ambos e em seguida apertou-lhe o braço, atirou-a para o chão e pegou-a pelos cabelos tentando arrastá-la para o interior da casa. Ela conseguiu fugir para o quintal de uma vizinha e ele seguiu no seu encalço com um machado mas o seu filho conseguiu “desarmá-lo” com a ajuda de vizinhos. Foi nesta altura que a mulher conseguiu ligar para a GNR, relatando o sucedido antes de tentar voltar a casa, pensando que o homem se teria afastado. Porém, quando este a viu seguiu novamente no seu encalço, desta feita com um pau. Ela teve de se esconder dentro de um carro de um familiar e ele foi a casa buscar uma motosstocherra, que ligou enquanto procurava pela mulher ao mesmo tempo que gritava: “Venham cá que eu corto-vos todos!». Só parou quando chegou a patrulha da GNR que providenciou apoio médico à vítima.
Segundo o Ministério Público, a «morte da vítima só não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade do arguido, designadamente pelo facto de o filho do casal e vizinhos dos mesmos terem intervindo prontamente, desarmando sucessivamente o arguido (propiciando ainda que a vítima fugisse, mantendo-se suficientemente afastada do arguido até que os militares da GNR tiveram possibilidade de intervir)».
Ao nosso jornal, Vitor Gaspar, advogado do arguido remeteu qualquer declaração para o fim do julgamento.










