
Refood Coimbra: 10 anos a combater excedentes alimentando quem precisa
A noite estava fria e chuvosa, mas nem por isso Cristina Baptista e Ana Paula Santana demonstraram menor entusiasmo. Afinal, a missão é nobre e tem dose dupla: ajudar a combater o desperdício alimentar e alimentar pessoas carenciadas da cidade.
Foi com este espírito que as duas amigas aceitaram o desafio de ser voluntárias do Refood Coimbra e é graças a esta boa-vontade, a que se junta a de tantos estabelecimentos comerciais parceiros, que este projeto chega agora aos 10 anos.
Um sucesso que, aliás, será celebrado hoje, a partir das 19h00, numa gala comemorativa de uma década de Refood Coimbra, no Convento São Francisco, apresentada pelos humoristas Afonso Paiva e Leonor Feio e que juntará em palco Combo Jazz, Coimbra Gospel Choir, bailarinos CODANÇA Associação Cultural, declAMAR Poesia, Cláudio Dias e Sara Travassos com Tiago Cordeiro e Rafael Silva, Cristina Branco ou ainda Luís Figueiredo e Pedro Gonçalves.
Uma casa cheia de amigos e parceiros, com destaque para a presença de Hunter Halder, fundador do Movimento Refood, em 2011, que virá tomar contacto com o trabalho que desde 2015 é realizado pela equipa de Coimbra.

Para quem não sabe como funciona, a tarefa é simples. Esperar pelas horas de fecho de super e hipermercados, pastelarias ou padarias e entrar de sacos e recipientes vazios para depois sair da lá com os mesmos recheados do que sobra do dia para fazer a diferença na vida de tantas pessoas, apoiadas por instituições da cidade.
Para termos uma ideia, só no ano passado, o Refood Coimbra recolheu mais de 101 mil quilos de alimentos em 28 estabelecimentos, que entregou noutras tantas instituições de Coimbra. E, já este ano, até final de setembro, foram recolhidos quase 78 mil quilos.
Números significativos, se tivermos em conta que falamos de um projeto «100% voluntário» que sobrevive do entusiasmo de pessoas como Cristina Baptista e Ana Paula Santana e do espírito solidário de tantos estabelecimentos da cidade, como comprovou esta semana o Diário de Coimbra, que acompanhou, uma noite destas, as duas voluntárias e as ouviu falar na satisfação que dá contribuir para «a recolha de excedentes» nos estabelecimentos, dando-lhes «um destino bom».
Estabelecimentos felizes por ajudarem quem precisa
Se os voluntários são fundamentais para que o Refood Coimbra seja um projeto consolidado há 10 anos - e neste momento chegam aos 80, o que permite fazer uma recolha diária - os estabelecimentos parceiros não ficam atrás. Pelos excedentes que entregam, mas principalmente por perceberem a importância do projeto.
Paula Santos, da pastelaria Pão e Sabores, no Vale das Flores, onde se iniciou a “viagem” sublinha isso mesmo. «Achámos muito interessante o facto de sabermos que os nossos excedentes têm um fim bom e que podemos ajudar instituições e famílias mais necessitadas», afirmou. Pouco tempo depois, já na padaria e pastelaria Tropical, na Quinta de D. João, Keiny Gomes, que é estabelecimento parceiro do Refood Coimbra há cerca de sete anos, corroborava a opinião de Paula Santos, falando no gosto que dá «ajudar quem mais necessita e precisa».
O “giro”, que passou ainda pela pastelaria Coimbradoce, na Avenida Fernão de Magalhães, terminou na Igreja de Santa Justa, na Baixa da cidade, onde todos os alimentos recolhidos foram entregues, para serem distribuídos por quem apoia esta instituição apoia.
Felicidade para quem recebe e dia feito para quem tirou um pouco do seu tempo ou deu um pouco de si para continuar a fazer do Refood Coimbra um projeto de sucesso, por muitas décadas.












