
“Não podemos fingir que está tudo bem” em relação aos fundos comunitários
«Temos 180 mil milhões de euros de fundos europeus investidos em Portugal desde a adesão e, apesar disso, estamos a 82% do PIB per capita face à média europeia... há 30 anos, estávamos a 81%». Estes indicadores, destacados pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial no encerramento da Mostra de Fundos Europeus, em Coimbra, revelam que «é preciso pensar duas vezes».
«Não podemos fingir que está tudo bem. Foram 30 anos a marcar passo», lamentou Manuel Castro de Almeida, reconhecendo que o país se «transformou à custa de fundos europeus», mas importa «dar o salto» – um salto, acrescentou, que «está a ser lento»
«Nesta lógica dos fundos, estamos muito habituados a medir a importância dos projetos pela quantidade de milhões de euros que lhes afetamos, deixando para trás o que estamos a mudar na vida das pessoas», salientou o governante, ao defender que a «preocupação tem de ser como vamos melhorar a vida das pessoas».
A prioridade, continuou Manuel Castro de Almeida, deve ser aplicar os fundos «para melhorar o rendimento das pessoas».
“Foram 30 anos a marcar passo”, salientou Manuel Castro de Almeida, referindo-se ao PIB per capita
«É nisto que estamos atrasados. Há várias infraestruturas para fazer, mas esse não é o nosso maior problema. O nosso maior problema é o rendimento. E como? Tornando as empresas mais competitivas, fazendo crescer a economia», adiantou na sessão da Mostra de Fundos Europeus, que terminou ontem no Convento São Francisco.
«Eu não queria morrer sem ver Portugal atingir os 100% do PIB per capita europeu», acrescentou, insistindo que a «principal referência tem de ser o rendimento», porque «o problema da maioria dos portugueses é a falta de dinheiro no bolso», disse.
O ministro da Economia salientou ainda que, ao longo dos tempos, «andámos a viver com a pressão da execução». «Isso, às vezes, tira-nos o discernimento para podermos pensar se estamos a executar bem a oportunidade que temos à nossa frente», criticou, reforçando a ideia de que «alguma coisa vamos ter de mudar».
E a mudança deverá passar também por «uma linguagem mais acessível» e diminuição da burocracia, que «ainda é demasiado grande», considerou.
«Vamos facilitar a vida às pessoas», resumiu.
Falando no período após o Portugal 2030, o ministro mostrou preocupação com a possibilidade de passar a ter os fundos da coesão desalinhados com as regiões. «É preciso que os fundos atentem às desigualdade entre regiões e não apenas entre os países», alertou.
No encerramento da mostra, Manuel Castro de Almeida prestou ainda homenagem a Isabel Damasceno, autoridade de gestão dos fundos na região Centro.











