
Centro de Línguas regista mais de 30 mil alunos
Alinhado com a nova estratégia europeia para o ensino consagrada por Bolonha, onde a mobilidade ganhou relevância e tornou premente a necessidade de conhecimento e aperfeiçoamento das competências linguísticas, nasceu, há 20 anos, o Centro de Línguas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Uma resposta à crescente «internacionalização das experiências pedagógicas e científicas», que o diretor, António Rebelo, apresentou, ontem, na sessão comemorativa destas duas décadas de formação.
Um projeto que António Rebelo apresentou num multifacetado discurso, que percorreu as diferentes línguas ali ensinadas, começando pelo espanhol, para acabar no japonês.
Nesta verdadeira e esclarecedora “Babel”, o responsável apontou os mais de 30 mil alunos que ao longo destas duas décadas optaram pela referência pedagógica de qualidade do Centro de Línguas (CL) que oferece mais de 130 unidades curriculares distintas, com docentes na grande maioria nativos. Centro que se viu “obrigado” a alargar o seu horário de funcionamento até às 22h00, tendo em conta a procura e que num ano que considerou de referência, 2013/2014, registou um recorde de 2.514 estudantes e 121 turmas.
Este ano, a novidade é o ensino em coreano
Num discurso poliglota, que ainda recorreu ao italiano, alemão, russo, inglês, neerlandês, árabe e coreano, fez questão de referir que, este ano lectivo, se retomou o ensino da língua árabe e começou a oferta da língua coreana.
O conhecimento das línguas «é indispensável para formarmos cidadãos críticos, plurilinguistas e interculturais», disse ainda o diretor na sessão, que decorreu no Teatro Paulo Quintela. António Rebelo referiu, ainda, o apoio do CL a conferências, projetos internacionais e iniciativas ligadas ao turismo e à cultura.
«A diversidade das línguas será sempre um desafio», concluiu.
Isabel Pereira recordou a «pré-histórica» do CL, em 2005, em resposta ao desafio lançado pela então vice-reitora. Cristina Robalo Cordeiro. João Correia Cardoso, que cumpriu três mandatos como diretor do CL, lembrou, como sociolinguista, a diretiva comunitária que sugere que o cidadão europeu deve ter um conhecimento muito bom da sua língua materna, conhecer bem uma das línguas funcionais da Europa e, se possível, estudar uma língua europeia minoritária e outra língua internacional. «Conhecer diferentes línguas permite-nos sermos mais tolerantes à diferença, perceber o outro e construir em bloco uma ideia de paz, neste momento muito utópica», disse.
«Não instrumentalizem a língua e não tenham a ambição de a falar como os nativos. Vejam na língua uma forma privilegiada de ter acesso a cosmovisões diferentes e enriquecer o vosso saber com diferentes visões de mundo», aconselhou.
Numa cerimónia em que foram enaltecidos os contributos de diferentes personalidades, o nome de Francisca Pignatelli Queiroz Athayde foi referido por todos os oradores, com profunda saudade «por já não estar entre nós» e com um enorme respeito pelo seu desempenho e pela «consolidação» do CL. «Foi uma excelente diretora», afirmou Carlos André - que há 20 anos presidia ao Conselho Diretivo da FLUC e nomeou Francisca Athayde como diretora do CL, em 2008 - que fez questão de, na «memória de Francisca Athayde homenagear todos os que dirigiram e serviram o CL».
Alberto Figueiredo, diretor da FLUC, recordou que o «ensino, a investigação e a transferência de conhecimento» constituem estatutariamente os pilares da FLUC e é nessa matriz que se insere o CL, como «mais uma dimensão» da FLUC, que a partir de 2005 «se abriu a um público mais vasto - dentro e fora da Universidade - , em torno do ensino e conhecimento das línguas e culturas».
Uma unidade que responde àqueles que precisam efetivamente de aprender uma língua, mas também àqueles que o fazem por puro regozijo pessoal. E deu o exemplo de um aluno que se inscreveu no curso de coreano e quando soube que reabriu o de árabe também se inscreveu, só pelo gosto por conhecer línguas.
A terminar, desejou «no mínimo mais 20 anos» de sucesso ao Centro de Línguas, para ajudar a cumprir os desígnios da Universidade de Coimbra de «abrir as portas do conhecimento a todas as gerações, a todas os públicos, a todas as pessoas!».|











