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86 toneladas recolhidas para “alimentar” quem mais precisa

Banco Alimentar de Coimbra recolheu 86 toneladas numa campanha marcada por menor afluência, mas com grande solidariedade

O Banco Alimentar contra a Fome recolheu em Coimbra 86 toneladas de alimentos na mais recente campanha de recolha, realizada no último fim de semana. Apesar de representar uma redução de cerca de 5 toneladas face ao ano passado, o resultado alcançado é considerado muito positivo, destacando-se tanto a eficiência organizacional como o empenho dos voluntários.

«Correu muito bem do ponto de vista organizacional. Agradecemos a todos os voluntários e a todas as pessoas que confiaram em nós», afirmou João Paulo Craveiro,  presidente da delegação de Coimbra do Banco Alimentar.

Segundo explica, a diminuição registada este ano não compromete o apoio das populações: «o ano passado foi excecional e em todas as campanhas existe sempre uma percentagem de variação. Isso não põe em causa o espírito solidário».

Mesmo com uma quebra, João Paulo Craveiro salienta que a campanha demonstrou espírito solidário

Um dos fatores que contribuiu para a quebra foi a menor afluência de consumidores aos supermercados no domingo (talvez porque ontem foi feriado e os consumidores tenham aproveitado o fim-de-semana prolongado), dia em que se notou que «havia poucas pessoas a fazer compras». Ainda assim, a recolha permite ao Banco Alimentar garantir reservas suficientes para os próximos seis meses (a 30 e 31 de maio acontece a próxima campanha), assegurando apoio a centenas de famílias acompanhadas regularmente. «São cada vez mais pessoas que trabalham, mas que não conseguem fazer face às despesas, devido aos baixos salários», sublinha.

A precariedade laboral, o aumento do custo de vida e as dificuldades habitacionais são apontados como fatores que empurram famílias inteiras para situações de vulnerabilidade. João Paulo Craveiro destaca a importância de a sociedade reconhecer que, embora a pobreza extrema tenha diminuído, há ainda «uma percentagem muito grande de pessoas abaixo do nível de pobreza», vivendo diariamente em condições de grande fragilidade económica.

O Banco Alimentar de Coimbra distribui cerca de 400 toneladas por ano

«Não se pode dizer que alguém morre de fome em Portugal, mas há pessoas verdadeiramente pobres. É fundamental fazer tudo o possível para minorar essas dificuldades», acrescenta.
Apesar das dificuldades, o responsável salienta que a campanha demonstrou, mais uma vez, o forte espírito solidário dos portugueses. Há registo de pessoas que «entregam um carrinho inteiro de produtos» e de muitas outras que vão ao supermercado apenas para apoiar o Banco Alimentar.

Além das doações físicas nos supermercados, continuam disponíveis e a ter grande peso as contribuições através da internet e dos vales de compra, mecanismos que facilitam a participação de quem não pôde estar presencialmente.

O Banco Alimentar de Coimbra distribui cerca de 400 toneladas por ano, sendo que, deste valor, apenas 170 toneladas são angariadas nas duas campanhas anuais que decorrem nos supermercados. Embora o número de solicitações não tenha aumentado de forma expressiva, a instituição deteta uma alteração significativa no perfil de quem pede ajuda

Dezembro 2, 2025 . 09:15

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