
Festival Letra Corrida lança Prémio Luísa Ducla Soares
«Cada livro é um amigo». Assim cantam os meninos e meninas do 4.º ano do 2.º Jardim-Escola João de Deus, a interpretar o hino do Letra Corrida - Festival de Literatura Infantojuvenil de Coimbra, na abertura da 2.ª edição daquele que é considerado «o maior evento» de literatura dedicado aos mais novos do país. A ouvir com atenção, remotamente, lá estava Luísa Ducla Soares, alguém que fez dos livros «grandes amigos de infância» e que é homenageada pela organização do festival com a criação do Prémio Luísa Ducla Soares de Literatura Infantojuvenil dos Países de Língua Portuguesa.
«Foi com muita emoção e reconhecimento que recebi a notícia. Sinto-me apenas uma formiguinha seguindo o meu carreiro», confessou a autora de “Mãe, querida mãe!”, “O macaco que ficou sem rabo” ou “O príncipe com orelhas de burro”.
Como explicou Diogo Coelho, diretor da Goldenskill, responsável pela organização do festival, o prémio literário visa homenagear a vida e obra da escritora de 86 anos, “senhora” de uma bibliografia de quase 200 livros editados.
O Prémio Luísa Ducla Soares, com periodicidade anual, pretende distinguir obras inéditas nos domínios da literatura infantil e juvenil, escritas em língua portuguesa, com o objetivo de promover a língua portuguesa, divulgar novos autores dos país da CPLP e incentivar a criação literária infantojuvenil em Portugal e no mundo lusófono.
A primeira edição do prémio literário será lançada a 2 de abril de 2026, Dia Internacional do Livro Infantil. Na altura, salientou Diogo Coelho, será divulgado o valor monetário a atribuir, assim como o regulamento.
Prémio será entregue durante a 3.ª edição do Letra Corrida. Candidaturas decorrem entre 2 de abril e 20 de julho de 2026
O Prémio Luísa Ducla Soares será entregue ao autor da obra vencedora em cerimónia pública, durante a 3.ª edição do Letra Corrida, a decorrer em Coimbra, de 23 a 29 de novembro de 2026. O período de candidatura tem início a 2 de abril e termina a 20 de julho, dia de aniversário da escritora, que lançou o seu primeiro livro para crianças - “A história da papoila” - em 1972.
«Há malucos para tudo. A minha maluqueira é esta. Não consigo viver sem escrever», brincou, recuando aos tempos de infância. «Aos 10 anos comecei a escrevinhar e reuni os poemas que rabiscava num pequeno volume a que chamei “Os meus versos”», recordou, acrescentando que foi na adolescência, quase por «acaso», que enveredou pela literatura infantil para entreter o irmão mais novo (10 anos mais novo).
«Ia buscar uns livrinhos que havia lá por casa, mas ele não gostava. Comecei todos os dias a inventar uma história», contou a escritora.
Resultado: «ganhei muita experiência e tive o melhor crítico, o mais desinibido, o mais sincero», adiantou.
Fazer da língua portuguesa a quinta língua mais escrita do mundo
Luísa Ducla Soares recorda que a língua portuguesa é a quinta mais falada do mundo. «Mas, não é a quinta mais escrita», adiantou a escritora, desejosa que se alcance este patamar.
Também por isso, «é preciso apostar na literatura infantil, porque é de pequenino que se começa a ganhar gosto pela leitura», salientou Luís Ducla Soares, na cerimónia de abertura do Letra Corrida.











