
Paulo Picão: “Rugby foi uma paixão imediata e a partir daí nunca mais deixei”
Diário de Coimbra Quando é que começa a sua ligação ao rugby?
Paulo Picão Eu comecei no desporto de alta competição muito novo através da natação. Eu admiro bastante os nadadores porque a natação é de facto muito exigente, porque em alta competição temos que ter treinos bidiários, antes e depois das aulas e eu chegava a casa muito cansado. Muitas vezes já ia no carro do treinador a dormir. Eu sou uma pessoa que gosto do contacto pessoal e da comunicação e o treino era essencialmente a “contar azulejos” e dentro de água e acabei por me fartar. Ainda tentei o futebol, mas de facto não era bem aquilo que eu queria. E um dos meus melhores amigos desafiou-me para começarmos os dois a jogar rugby. O Joaquim Paulo Namorado. Depois fomos colegas de equipa durante muitos anos. E começámos com cerca de 12 anos a treinar essencialmente quase só os dois. Na altura o rugby, nessas idades, não tinha ainda muita tradição. Mas o rugby foi uma paixão imediata e a partir daí nunca mais deixei.
Uma paixão que passou para o seu filho, o Manuel Picão?
É. O meu filho começou cedo no rugby, mais cedo ainda do que eu, porque sempre conviveu com a modalidade uma vez que quando ele nasceu eu ainda jogava. Ele teve essa paixão e esteve também no ténis até aos 14 anos. Depois teve de optar por uma das modalidades e, felizmente para mim, ele optou também pelo rugby. Confesso que agora é muito mais exigente do ponto de vista de treino e do ponto de vista da dedicação.
Vê-lo chegar à seleção deixou-o de lágrimas nos olhos...
Sim. É uma experiência muito boa. No último Mundial, em França, no qual ele esteve envolvido, foi uma experiência, mesmo sem ter jogado, muito positiva. Agora, logicamente que hoje em dia o rugby obriga quase a uma dedicação profissional. Ele joga numa equipa bastante competitiva e treina com um grande afinco, mas não tem a disponibilidade que é necessária para estar ao nível da seleção.
Como é conjugar a vida profissional, pessoal e o rugby?
É difícil, muito difícil, mas faço isto por amadorismo e por paixão, não tenho qualquer remuneração por isto, mas acho que é assim que sempre vivi e senti a modalidade. Por tudo aquilo que o rugby me deu enquanto atleta, agora cabe-me tentar devolver à modalidade. É isso que faço enquanto dirigente, enquanto fui presidente da Académica e também do ponto de vista social. Vou dar treinos à prisão de Leiria às quartas-feiras e é uma paixão grande ver que o rugby, através dos seus valores, consegue mudar pessoas, consegue mudar vidas. Está tudo encaixado na minha personalidade e a minha família também sabe disso. Sei que me tira tempo para conciliar com outras atividades, mas é assim que eu me sinto bem e, portanto, vou continuar até ter forças.










