
Unidade pioneira no IPO com olhar atento sobre o doente oncológico e a diabetes
O IPO de Coimbra tem uma unidade pioneira estritamente dedicada a acompanhar o doente oncológico com diagnóstico de diabetes. Criada no ano passado, esta unidade, coordenada por Jacinta Santos, nasceu da necessidade sentida naquele hospital de garantir um olhar mais atento à diabetes, uma doença com uma incidência de 14% na população portuguesa entre os 20 e os 79 anos e com implicações várias no doente com cancro.
«Anteriormente a 2024, já dávamos apoio, sempre que possível, mas a unidade, composta por vários profissionais, entre médicos e enfermeiros, foi criada, precisamente, para facilitar o acompanhamento e dar uma resposta atempada aos doentes», confirma ao Diário de Coimbra Jacinta Santos.
Esta unidade, única no país em contexto hospitalar dedicado à doença oncológica, funciona em circuito fechado. Ou seja, «não há referenciações externas, sendo apenas referenciados doentes por médicos do IPO de Coimbra, a partir do internamento, das consultas ou do hospital de dia», confirma a responsável, adiantando que semanalmente (a unidade funciona de segunda a sexta-feira) são atendidas dezenas de doentes, havendo uma tendência de crescimento.
«Ainda não temos números para apresentar, mas há claramente uma tendência para um aumento gradual das consultas», avança Jacinta Santos, apontando para uma maior sensibilização da parte dos profissionais do IPO de Coimbra, de outras especialidades, para a importância desta unidade e para a necessidade de um acompanhamento mais dedicado e um controlo mais atento nesta matéria.
«É muito importante ter um bom controlo no decurso da doença, porque a diabetes também tem implicações na doença oncológica. É bom que o doente esteja bem controlado para que corra tudo bem, nomeadamente em caso de necessidade de cirurgia, mas também de quimio ou radioterapia», explica a coordenadora da unidade, sublinhando que ali tanto são acompanhados os doentes oncológicos com diagnóstico anterior de diabetes, como aqueles que desenvolvem a doença em consequência do cancro e dos respetivos tratamentos.
"É muito importante ter um bom controlo no decurso da doença, porque a diabetes também tem implicações na doença oncológica"
«Há uma relação bidirecional entre as duas doenças. A diabetes pode ter implicações na doença oncológica e vice-versa», adianta Jacinta Santos, esclarecendo que, apesar de serem os doentes acima dos 65 anos os mais referenciados para a Unidade de Diabetes, na consulta são acompanhados doentes de todas as idades e com as mais diversas patologia oncológicas.
«A criação desta unidade permite-nos criar critérios de referenciação com os colegas, inaugurar protocolos para situações específicas e ajudar colegas de outras especialidades a darem resposta a situações mais simples», aponta Jacinta Santos como mais-valia da criação desta unidade que se tem vindo a afirmar no IPO de Coimbra.
Rastreio e diagnóstico precoce são fundamentais
Cancro e diabetes têm implicações mútuas e causas comuns, o que justifica uma resposta integrada
Cancro e diabetes estão, muitas vezes, de “mãos dadas” na vida de um doente e, como sublinha Jacinta Santos, «além de implicações mútuas, em termos de aparecimento, as duas doenças tem fatores comuns».
«Em destaque está, claramente, a obesidade, que é um factor para o aparecimento das duas doenças» e, na verdade, o que acontece é que, do universo dos doentes acompanhados na Unidade de Diabetes do IPO de Coimbra, «é muito frequente» que tenham excesso de peso.
O trabalho desta unidade, principalmente aproveitando uma efeméride como é o Dia Mundial da Diabetes, é também «chamar a atenção para a importância do rastreio, do diagnóstico precoce e para o tratamento eficaz, no sentido de minimizar as complicações da doença», em qualquer cidadão, mas em particular no doente oncológico.
«Uma das questões que hoje em dia assistimos na diabetes em geral é que há muitos pacientes cuja doença só se manifesta em fases muito avançadas, infelizmente, com sintomas muito subtis», confirma a responsável, sublinhando que este diagnóstico tardio, apesar de pouco recomendável em qualquer situação, é ainda mais preocupante num doente oncológico. «A prevenção, de um modo geral, nas várias doenças crónicas, é a chave. Aqui, no caso da diabetes, é fundamental», continua a especialista.
Recorde-se que o Dia Mundial da Diabetes, que hoje se assinala, foi instituído em 1991 pela Federação Internacional da Diabetes e pela Organização Mundial de Saúde para estabelecer uma chamada de atenção, quer para os cidadãos, quer para os governantes sobre esta doença.












