
Peça sobre jornalismo é “ode” à informação e ao desenvolvimento
O Festival Política traz a Coimbra um conjunto de momentos lúdicos, culturais e de atenção social especialmente ligados à atualidade. Ontem, na Black Box do Convento São Francisco, Cristóvão Cunha, da Ritual de Domingo, mostrou a alunos de várias idades a importância do jornalismo. A peça de teatro “Onde Estavas Quando Leste o Primeiro Jornal?”, baseada na sua própria experiência, leva a palco parte da coleção de jornais que possui para traduzir a relevância de se estar atento ao mundo.
«De manhã ouvi na rádio que existe uma atenção de 10.3 segundos dos adolescentes no TikTok. Hoje [ontem] grande parte deles estiveram aqui a “aguentar” um espetáculo de 45 minutos. Senti que estavam com atenção», conta Cristóvão Cunha que, para além de fundador da Ritual de Domingo, é desenhador de luz. A utilização de luz foi reforçada durante toda a sessão, principalmente sobre as pilhas enormes de jornais. «No total são mais de 5 mil jornais e mais de 3 mil revistas acho eu. É uma coleção enorme de muitos anos», sendo que o primeiro “comprado” foi em 1995.

O processo de análise e escolha foi feito com a ajuda dos filhos, que em conjunto separaram os jornais, primeiro, por anos. «Esta coisa da imigração, por exemplo, não é nova. Já aconteceu com os retornados. Este é um dos assuntos que se repete ao longo dos anos» identifica, sublinhando a ciclicidade de certos temas que, apesar de mediáticos na atualidade, não são novos. «É importante que façam perguntas porque há coisas que aparecem na televisão e nas redes sociais, muita informação falsa, e é preciso desmistificar estas situações». Para isso, refere, é preciso «perguntar», «deixar os jornalistas fazer o seu trabalho» e, também, «ser um pouco jornalista» e aprender como diminuir o risco da desinformação.
Se no palco a “representação” mostrou uma realidade de quem viveu o meio de perto (Cristóvão foi, também, jornalista), no público os jovens foram acompanhando cada história e cada momento de perto, “colados” ao teatro e não aos ecrãs. «Como é que posso criar um jornal da escola?», questionou uma jovem, ao que a resposta foi «com muito trabalho, dedicação e um computador». O tema, a exemplo para “teste”, foram bolos de bolacha, uma preferência da jovem. Mas a verdade é que as perguntas feitas pelos mais novos pretenderam entender como combater a desinformação e os “maus hábitos” digitais, desafios que podem ou não ser recentes. «O digital é sempre um ponto de debate, os novos media costumam ser contestados, mas temos de saber aproveitá-los. Temos de fazer as perguntas certas e dar atenção ao que jornalistas escrevem, e não ao que páginas que se fazem passar por eles dizem», finalizou Cristóvão Cunha, que deseja ver o «bolo de bolacha em jornal».











