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Cerca de 200 pessoas manifestaram-se pela reabertura da urgência do Hospital dos Covões

Utentes e profissionais de saúde desfilaram entre a Ponte de Santa Clara e a Câmara Municipal

Cerca de 200 pessoas participaram, esta tarde, na manifestação pela reativação do serviço de urgência do Hospital dos Covões. Apesar da chuva intensa, utentes e profissionais de saúde desfilaram entre a Ponte de Santa Clara e a Câmara Municipal.

Ilda Coelho reside na Marinha Grande e viajou, propositadamente, para Coimbra para se juntar à manifestação.
«Fui lá operada à tiroide, o ano passado, e a minha mãe tem sido seguida e tratada [nos Covões]. Não há hospital melhor em termos de qualidade técnica, científica e de humanismo», adiantou em declarações ao Diário de Coimbra.

Nascida e criada em Santa Clara, Laurinda não se conforma com a decisão de “transformar” a urgência em Centro de Atendimento Clínico. «Fecharem os Covões é o maior crime. É um hospital de excelência, quem está a mandar, está mal», criticou

Também Maria Celeste Simões se quis associar à manifestação, mesmo com condições meteorológicas adversas. «É uma questão de princípio. O nosso Serviço Nacional de Saúde precisa que todos nós o defendamos», salientou, classificando como uma «falta de respeito» o encerramento da urgência.

Quem também disse presente foi Maria do Carmo, que trabalhou no Hospital dos Covões durante mais de 20 anos. Já reformada, fala daquela unidade como «um hospital de excelência que nunca poderá fechar».

A manifestação de ontem, que decorreu entre a Ponte de Santa Clara e a Câmara Municipal, foi organizada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, pela Associação Juntos Pela Saúde e pelo MUSP - Movimento Utentes de Serviços Públicos.

Sandra Simões, médica de Medicina Interna e membro da Associação Juntos pela Saúde no Centro, destacou que «é um enorme desperdício, uma grande perda para a cidade, uma grande perda para a saúde em Coimbra o desaproveitamento que está a ser votado o hospital dos Covões»

«Fala-se numa requalificação, mas, na verdade, houve uma desqualificação, houve uma perda muito grande de qualidade e proximidade às populações», continuou, considerando que houve «um engano que tem de ser corrigido». «Foi um erro e os erros corrigem-se (evitam-se, primeiro, mas também se podem corrigir. Acreditamos que a boa vontade, o bom senso vai imperar», concluiu.

Recorde-se que a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra emitiu um comunicado a 31 de outubro a anunciar o encerramento da urgência do Hospital dos Covões, com efeito a partir de 1 de novembro, dando lugar a um Centro de Atendimento Clínico. Alegou também reduzido número de atendimentos.

Paulo Anacleto, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, considera que o encerramento da urgência «era uma morte anunciada», que se seguiu ao fecho de «diversos serviços clínicos» ao longo dos últimos anos, resultado de «decisões políticas».

Na opinião do líder sindical, a reabertura da urgência desta unidade de saúde da ULS é possível e a Câmara Municipal «pode interferir» como intermediária.

Novembro 14, 2025 . 18:46

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