
Cercal Rock, o som que resiste ao silêncio da aldeia
Criado em 1997 pelos Balbúrdia, o Cercal Rock nasceu da vontade de oferecer «condições dignas a quem queria tocar e a quem queria ouvir», recorda João Paulo Castanheira, guitarrista e um dos fundadores da banda. O evento começou como um encontro entre amigos e músicos locais, mas tornou-se, ao longo dos anos, um símbolo de identidade cultural no concelho de Soure.
Atualmente, o festival é organizado pela Banda do Cercal, uma instituição que se assumiu como guardiã da tradição. «É uma casa da cultura que mantém viva uma aldeia onde o movimento cultural resiste, apesar de estar cada vez mais desabitada», sublinha Guilherme Castanheira, presidente da instituição e vocalista dos Balbúrdia.
O reconhecimento desse papel chegou em 2022, quando a Banda do Cercal recebeu a Medalha de Mérito Cultural do Município de Soure, distinção que sublinha a importância do trabalho desenvolvido em prol da cultura local e da persistência de um projeto que nunca se deixou apagar.
A edição deste ano reúne quatro nomes da música nacional: Fitacola, Peter Strange, aBAND’onados e os próprios Balbúrdia. Curiosamente, todas as bandas cantam em português – coincidência que, segundo Castanheira, «não foi planeada, mas é bonita».
No próximo sábado, 15 de novembro, o festival Cercal Rock mantém vivo o som do rock português
Mais do que um cartaz de luxo, o Cercal Rock é um ponto de encontro entre gerações. Muitos cercalenses que vivem fora regressam todos os anos em novembro para participar no evento. O público é fiel, e a atmosfera familiar continua a ser o segredo do sucesso.
À beira de celebrar 30 anos de carreira, os Balbúrdia preparam um concerto que revisita as origens da banda e reafirma o prazer de tocar. «Já não temos a ambição de ser os novos heróis do rock. Fazemos isto porque gostamos, quando podemos, como podemos. É o que nos mantém ativos», confessa o músico.
O Cercal Rock’25 decorre na sede da Banda do Cercal, com abertura de portas às 22h00, sessão solene às 22h30 e concertos a partir das 23h00. Os bilhetes custam 8 euros em pré-venda e 10 euros no dia, podendo ser adquiridos online ou em pontos de venda em Soure: Mafalda Mareco, Café Capuchinho, Diabos de Samuel e Tina Nails, e em Coimbra: Music Light, na Pedrulha.
Mais do que um festival de rock, o Cercal Rock é uma celebração de resistência, comunidade e paixão. Um pequeno palco que há 28 anos desafia o silêncio do interior – e prova que, mesmo nas aldeias, o rock continua bem vivo.











