
“A rede escolar tem de ser pensada a nível regional”
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, refletiu sobre a igualdade da educação em Portugal numa conferência promovida pelo Fórum Regional do Centro das Ordens Profissionais (FoRCOP), que decorreu no Seminário Maior de Coimbra.
O governante dividiu o seu discurso em três tópicos: igualdade de oportunidades no acesso à educação de qualidade, competências e educação integral e reforma do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
Segundo Fernando Alexandre, «Portugal fez um percurso extraordinário nas últimas décadas na evolução da educação». Contudo, a nível europeu também houve uma melhoria, o que demonstra que é preciso fazer mais, existindo um «objetivo de chegar aos 50% de pessoas entre 25 e 34 anos com ensino superior completo» (em 2023 esse valor encontrava-se nos 41%).
A educação está muito marcada pelo família onde se nasce. O ministro apresentou dados que mostram que «em Portugal, numa família em que nenhum dos pais tenha frequentado o ensino superior, apenas 23% das pessoas entre os 25 e 34 anos têm um diploma de ensino superior, que «contrasta com os 73% dos jovens entre os 25 e 34 que têm pelo menos um pai com ensino superior».
Outro aspeto marcante da desigualdade de educação prende-se com a região onde se nasce. O ministro explica que «o norte apresenta os melhores resultados e à medida que se desce para o sul do país começa a haver um declínio». «Ao nível das ilhas, a Madeira compara-se com o norte, enquanto os Açores está incluído no grupo dos piores resultados», acrescenta. Para o detentor da pasta da educação, «isto é preocupante do ponto de vista da coesão territorial, sendo explicado pela falta de professores, pelo acesso ao pré-escolar, que são essenciais para os resultados escolares».
Existe o objetivo de chegar aos 50% de pessoas entre 25 e 34 anos com ensino superior completo até 2030
Fernando Alexandre debruçou-se também no facto de atualmente «o mundo estar mais complexo, o que dificulta a tentativa de encontrar soluções para os problemas».
«Para definir as soluções é preciso mais conhecimento, mas também mais capacidade de transmitir esse conhecimento», afirma.
O ministro da Educação acredita que «um dos problemas da governação em Portugal é o facto desta ser feita por um estado central muito grande, em Lisboa, que tem de aplicar medidas para 308 municípios muito diferentes, o que causa uma super fragmentação». «Falta uma camada intermédia que permita garantir que as políticas nacionais sejam aplicadas de melhor forma no território», acrescenta Fernando Alexandre.
Para o governante, «esta é a única forma de haver uma igualdade de oportunidades em todo o território regional, porque a partir da capital não é possível gerir um sistema educativo que se localiza por exemplo em Trás-os-Montes ou no Algarve», sendo essa descentralização e regionalização «essencial para o desenvolvimento do país».











