
IPO de Coimbra é referência no tratamento de tumores neuroendócrinos
Os tumores neuroendócrinos são neoplasias classicamente reconhecidas como raras, no entanto, a nível mundial, os estudos têm demonstrado uma frequência crescente de diagnóstico, o que tem levado os especialistas a promoverem campanhas no sentido de alertarem os profissionais de saúde e a população em geral para a importância de diagnosticar precocemente estes tumores.
Foi neste âmbito que foi criado o Dia Mundial da Sensibilização para os Tumores Neuroendócrinos que hoje se assinala e que o Diário de Coimbra falou com Raquel Martins, médica do IPO de Coimbra e coordenadora do Grupo Multidisciplinar que, há uma década, se dedica especificamente a este tipo de tumores, fazendo um trabalho de parceria com outros hospitais, particularmente os da região, o que faz com que em Coimbra sejam acompanhados pacientes de todo o país.
«Há 10 anos, criámos uma consulta específica. Já tínhamos consultas multidisciplinares para muitas áreas, mas criámos uma solução que reconhece as especificidades e diferenças dos tumores neuroindócrinos», confirma a especialista, sublinhando que a particularidade do IPO de Coimbra, e o que faz dele uma referência nacional nesta área, é o facto de os vários profissionais de saúde - de várias especialidades - que compõem grupo, se colocarem «à disposição de todos os hospitais da região Centro e estarem em contacto com os centros de saúde» para quem possam enviar doentes para acompanhamento especializado no IPO de Coimbra, apesar de seguirem com o tratamento nos seus hospitais de residência.
“O trabalho realizado no âmbito deste grupo é muito profícuo e valorizado pelos doentes”, confirma Raquel Martins, coordenadora da consulta
«Os nossos especialistas, de diversas áreas relacionadas com estes tumores - dividimos em dois grandes grupos, os torácicos e os digestivos - reúnem-se semanalmente para debater cada caso e isso tem contribuído para melhorar o diagnóstico, o tratamento e o seguimento dos pacientes. A experiência tem sido muito boa», partilha Raquel Martins, considerando este trabalho de uma década «uma mais valia», já que «não faz qualquer sentido que exista uma resposta específica em cada hospital local».
De acordo com a médica especialista, neste momento o IPO de Coimbra atende em consulta mais de uma centena de doentes, sendo que, só no ano passado, o hospital recebeu cerca de 80 novos pacientes com este diagnóstico (de norte a sul do país).
«O trabalho realizado no âmbito deste grupo é muito profícuo e valorizado pelos doentes, até porque é uma forma de nos formarmos uns aos outros, de discutirmos casos e de contribuirmos para um melhor diagnóstico e tratamento. Há aqui um cuidado grande e isso é um grande benefício para os doentes», rematou Raquel Martins.
Números
- 2015 ano da criação no IPO da Consulta Multidisciplinar para os Tumores Neuroendócrinos;
- 80 novos doentes diagnosticados em 2024 acompanhados pelo IPO de Coimbra;
- +10 especialidades médicas integram Consulta (Endocrinologia, Gastroenterologia, Oncologia, Cirurgia, Medicina Nuclear, Radiologia, Pneumologia, Anatomia Patológica).

Tumores raros, mas com diagnóstico crescente
O que são? Um tumor neuroendócrino é um tumor que se forma a partir de células neuroendócrinas (aquelas capazes de produzir e libertar hormonas e neurotransmissores no sangue) e podem ocorrer praticamente em qualquer local do corpo, apesar de estarem divididos entre os torácicos e os digestivos.
Não é, por isso, fácil a deteção dos tumores neuroendócrinos. Como explica Raquel Martins, além de serem neoplasias raras, o que faz com que haja menos experiência ou propensão dos profissionais de saúde para o seu diagnóstico precoce, são também «muito diferentes entre si», como confirma a especialista do IPO de Coimbra, o que justifica, na sua opinião, que haja cada vez mais campanhas de sensibilização, tanto para profissionais, como para a população em geral.
O estilo de vida atual dará o seu contributo, mas a responsável acredita que é também o facto de estarmos mais despertos, - realizarmos mais endoscopias ou outros exames e estarmos mais atentos a sintomas persistentes - que faz com que estudos recentes concluam que, apesar de ser uma neoplasia rara, os tumores neuroendócrinos, estão a ser diagnosticados com uma frequência crescente.
«É importante tentarmos diagnosticar precocemente estes tumores», diz, admitindo que, neste momento, «eles continuam a ser diagnosticados tardiamente, precisamente porque são muito difíceis de identificar» ou estão associados com outras situações mais “normais” e, portanto, são desvalorizados.
Dor abdominal e/ou cólicas, diarreia, obstipação, enjoos ou vómitos, perda de apetite, diminuição do peso, tosse persistente, hipoglicemia, hiperglicemia, rubor facial, são sintomas associados e estes tumores, confirma a especialista, não tendo dúvidas quanto à importância da sensibilização e do conhecimento de profissionais e da população.












