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Chuva forte está a provocar danos nas zonas afetadas pelos incêndios

Escorrências fortes para cursos de água e derrocadas são algumas das consequências da precipitação sobre os solos despidos de vegetação e sem estrutura. Aldeia de Codessais ficou totalmente isolada por algumas horas

A água da chuva, desejada quando os incêndios teimam em não dar tréguas na época de calor, destruindo hectares e hectares de floresta, é a mesma água da chuva que, em grande quantidade e num curto espaço de tempo, na estação mais fria, pode provocar danos nos ecossistemas. A precipitação forte dos últimos dias na região tem causado muitos transtornos nos municípios que no último verão foram mais fustigados pelos incêndios, como Arganil, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e Lousã.

As serras «ainda estão despidas», alerta o investigador José Paulo Sousa, do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. E com isto, admite o investigador, falta capacidade aos solos para reterem as águas, originando derrocadas e o arrastamento de grandes quantidades de água contaminada que vai poluir os cursos de água e prejudicar os ecossistemas.

Nos últimos dias, o que a aldeia de Codessais, no concelho da Lousã, viveu é exemplo do que as fortes chuvas podem provocar numa zona ardida. Na passada quarta-feira, 5 de novembro, «os taludes da N342 – cuja falta de limpeza tinha sido sinalizada pela população na missiva enviada à Câmara Municipal na sequência do incêndio de 15 de agosto – cederam», com a população desse lugar a ficar por algumas horas «totalmente isolada» tendo em conta que «a única estrada de acesso ficou obstruída» pela terra e muita lama.

A situação terá sido revertida horas depois, ao que tudo indica, e de acordo com os moradores, pela Junta de Freguesia de Serpins. Para o grupo de habitantes dos lugares dos Codessais, Boavista, Pereiro, Santo Ovídio, Matas, Avessada, Carvalhal, Catassilva, Soutelo, Quinta, Cabanões e Turbilhão, vítimas dos incêndios de 15 de agosto, estas consequências «graves e evidentes» resultam «da ausência de ação preventiva».

As serras «ainda estão despidas», alerta o investigador José Paulo Sousa, do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

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