
Sandra Cruz venceu Prémio Literário Manuel Alegre
Sandra Cruz, que utilizou o pseudónimo Duarte Barbas, foi a vencedora do Prémio Literário Manuel Alegre. José Manuel Mendes, presidente do júri, revelou que o conto “Inocência”, da autoria de Sandra Cruz, «convoca a historiografia do Tarrafal da primeira metade do século XX, com ingredientes que são de extrema importância».
O prémio foi recebido por Melânia Ramos, que o aceitou em nome da Sandra Cruz, que não conseguiu estar presente. Na mensagem que deixou, a estudante da Universidade de Coimbra revela que nos últimos anos se cruzou com «as áreas do direito, da literatura, das culturas africanas, do património e dos estudos pós-coloniais, que de algum modo se articularam neste conto».
A autora declara que “Inocência” não é um conto retirado da sua imaginação, mas sim um «retrato de um país amarrado pela miséria e pela ignorância». Damásio, personagem do conto, representa a «certeza de que nada é certo, nem a liberdade a que as pessoas se habituaram», acrescenta Sandra Cruz.
Vencedora foi anunciada pelo presidente do júri, enquanto o restante pódio foi revelado por José Machado
O segundo lugar foi entregue a Rafael Vieira, atualmente estudante do Doutoramento em Sociologia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Rafael Vieira, que assinou o texto “A mão de Sahir”, com o pseudónimo Fernando Mondego, conta que o seu texto fala da «história da pessoa que escreveu uma frase em árabe na Sé Velha». Além disso, o estudante deixa a mensagem que «este concurso é uma grande oportunidade para incentivar os alunos a escrever».
O terceiro premiado foi o texto “Banco de Memórias”, de Maria Isabel Caetano, que utilizou o nome Brigitte de Ávila. O certificado do terceiro lugar foi recebido pelo seu pai, visto que a mesma se encontra fora do país. Em nome da filha, o mesmo afirmou com orgulho que «apesar da Maria ter concluído o Mestrado em Engenharia Biomédica, esta interessa-se pela escrita e pela leitura», algo que é uma alegria para a família.
José Manuel Mendes refere que «poderiam ser mais os escolhidos, mas o júri entendeu que este seria um número suficiente para dar a entender que há uma escolha de um vencedor e há um nível próximo um conjunto de autores que se deve ter em conta». O presidente do júri declara ainda que «numa altura que há um domínio da ficção, encontrou-se três textos onde a marca do literário se torna particularmente evidente».











