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Festival “Orphika” propõe “universo intenso de emoções”

Ciclo de Música decorre entre 8 de novembro e 8 de dezembro, com mais de 30 iniciativas, a realizar em 15 espaços diferentes, da Universidade e da cidade. Dois terços têm entrada livre

A música é o elemento essencial, desde a clássica e erudita à tradicional e popular, sem esquecer experiências de world music, gospel, música sacra e religiosa, infantil e fado. Falamos do Ciclo de Música Orphika, uma iniciativa da Universidade de Coimbra (UC), que abraça a cidade entre 8 de novembro e 8 de dezembro. À música juntam-se outras artes, como o teatro, a dança e também a ciência, num mês inteiro de eventos, que prometem um «universo intenso de emoções», garantiu o vice-reitor Delfim Leão, ontem na apresentação do evento, no Colégio das Artes.

É a sétima edição do festival, que inclui «cerca de 30 concertos» e vários «eventos convergentes», designadamente os encontros “Mundos e Fundos”, que promovem a valorização do fundo musical da UC e da Biblioteca Geral. «Aproveita-se este contexto para apresentar concertos únicos», alguns apresentados pela primeira vez, com músicas «resgatadas a séculos de silêncio», referiu Delfim Leão, exemplificando a diversidade de eventos que o programa contempla, visando «diversificar a experiência sensorial do espectador».

Uma programação que apostou em «explorar sensibilidade variadas», procurando criar polos de interesse para todos os tipos de público. São 12 concertos de música erudita, seis propostas de música tradicional e popular, não falta a música coral e sacra e são dois os espetáculos infantis, destinados à família. Passando em revista o vasto programa, o vice-reitor referiu, ainda, as cinco propostas de música contemporânea e experimental. «Não é só música erudita», há espaço para novos projetos que «estão a ser desenvolvidos», sublinhou.

Sétima edição do festival, que inclui «cerca de 30 concertos» e vários «eventos convergentes», designadamente os encontros “Mundos e Fundos”, que promovem a valorização do fundo musical da UC e da Biblioteca Geral

Mais de três dezenas de eventos a realizar em 15 espaços, cedidos pela Universidade e pela cidade. «A cidade é o grande palco», disse Delfim Leão, que destacou a «vertente colaborativa e comunitária», através das duas dezenas de parcerias, envolvendo grupos da Academia, da cidade e de outras regiões. Satisfeito com a crescente dinâmica colaborativa que tem vindo a acontecer, o vice-reitor considera que este é um «aspeto fundamental», pois, através do festival, «a Universidade ajuda a viabilizar outros projetos»

A maioria dos eventos, 21, precisou, dois terços da programação, são de entrada livre, com 11 a apresentarem bilheteira. Espetáculos a realizar no Teatro Académico de Gil Vicente, no Teatro da Cerca de S. Bernardo, no Planetário ou no Pavilhão Centro Portugal, onde o preço simbólico do bilhete representa uma «ajuda do público à sustentabilidade do evento», referiu o vice-reitor. Delfim Leão destacou o apoio do banco Santander, que classificou como o «mecenas de referência».

A Universidade assume um investimento de 50/60 mil euros na organização do Ciclo de Música Orphika, verba que representa o «apoio monetário» assegurado aos diferentes parceiros, no sentido de garantir a dinâmica criativa inerente à preparação da programação. Um valor a que acresce outro tipo de apoios, nomeadamente cedência de espaços ou equipamento. Em termos globais, o valor do investimento «poderá dobrar», rondando os 100/120 mil euros.

Público dos eventos culturais cresceu quase 300%

O público - ou melhor, os públicos - do Ciclo de Música Orphika também merece nota positiva por parte do vice-reitor. «Tem milhares de espectadores, é um evento muito sólido», fez notar. De resto, Delfim Leão deu nota do acentuado crescimento, de «cerca de 300%» da adesão do público aos vários eventos culturais promovidos pela Universidade de Coimbra, nos últimos anos, «conjugados com a cidade». Os números falam por si e representam um crescimento «muito positivo», que passou de uma média de 60 e tal mil/ano para o triplo e o ano em curso segue na mesma linha. «Tem sido uma estratégia claramente acertada, quanto mais nos congregamos com outras entidades, melhores são os resultados. Tem sido muito reconfortante», rematou o vice-reitor.

Apresentação Do Festival Orphika 1

Três propostas exemplares de parceria

A apresentação contou com a presença de três parceiros do festival, que apresentaram as suas propostas e foram unânimes no elogio ao projeto cultural da Reitoria.

Catarina Pires, da associação Há Baixa, apresentou o evento “O Coro de Vontades”, a realizar a 8 de dezembro (18h30, no TAGV). Um projeto tem duplamente a chancela do festival Orphika, uma vez que, explicou, o Coro da Baixa se apresentou há dois anos, integrado no programa, juntando vozes da Baixa da cidade. «Neste momento somos quase 50» e em palco, no TAGV, «vão estar quase 40». Um grupo coral habituado à música tradicional, que “derivou”, neste desafio, para um «Coro de Vontades», na senda de uma experiência levada a efeito no Teatro Maria Matos por Tiago Sousa. Um processo criativo que começou do zero, referiu Catarina Pires, com o «escrever das vontades», a necessária «depuração» e a adaptação musical. O espetáculo é inovador e experimental numa segunda vertente, pois conta com a participação de um grupo de crianças surdas da Escola Silva Gaio. Também elas escreveram uma história, “passada” a linguagem gestual e deu origem a «duas coreografias que abrem o concerto». «Foi um grande desafio», «muito gratificante», disse.

Francisca Monteiro, da Associação Académica de Coimbra, apresentou o evento “100 anos de Carlos Paredes (11 novembro, 21h00, TAGV), que revisita a vida e a obra do músico, que junta «três organismos» da AAC, designadamente a Secção de Fado e o CITAC.

João Fernandes apresentou a palestra-concerto “(En)cantos Cósmicos” a realizar no Planetário do Observatório Geofísico e Astronómico da UC (22 de novembro, 15h00), uma proposta que «conjuga a ciência com a música», com a participação de Raquel Resende ao piano e de Paulo Soares e Rui Poço Ferreira na guitarra e viola, respetivamente, levando a «canção de Coimbra» ao «discurso científico».

A programação completa está disponível no site da UC.

Novembro 4, 2025 . 10:50

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