
ESEC reforça parcerias com entidades locais
Rui Antunes, que ontem proferiu o seu último discurso como presidente da Escola Superior de Educação de Coimbra, alertou para os desafios futuros que a instituição irá enfrentar, desde logo o «sobejamente conhecido» problema das instalações, mas também o do financiamento, que implicará novas estratégias e planeamento.
Depois de sublinhar a evolução da ESEC em quatro décadas, e de destacar o sucesso do último ano em que a avaliação positiva pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia dos dois centros de investigação vai permitir avançar com doutoramentos (ver Diário de Coimbra de ontem), Rui Antunes olhou para o futuro, em que ensino, investigação e ligação à comunidade terão de se fazer de forma sustentável.
«Não há qualidade sem sustentabilidade financeira e não há sustentabilidade sem planeamento, rigor e sentido de prioridade (…), a solidez do nosso crescimento dependerá da nossa capacidade de continuar a equilibrar a missão com responsabilidade, expansão com consolidação e sonho com realismo», sustentou, ao sublinhar a necessidade de atenção aos dois fatores que «condicionam fortemente a estratégia futura: as instalações e o financiamento público através do Orçamento de Estado».
Não se pode ignorar os problemas de espaço, mas não é tempo de se ficar bloqueado em lamentações
Se é certo que não se podem ignorar os problemas de espaço, o docente, que lembrou as promessas nunca cumpridas pelo anterior presidente do IPC, entende que não é tempo de se ficar bloqueado em lamentações mas sim de procura de «soluções alternativas, realistas, nomeadamente através de parcerias» com entidades da comunidade em Coimbra e em localidades vizinhas como Mealhada, Cantanhede, Condeixa e Anadia. Estas parcerias, antecipou, pode permitir deslocalizar cursos, nomeadamente os técnicos profissionais, diversificar a oferta formativa e recrutar novos públicos.
Agora que são conhecidos os novos executivos camarários, «estamos em condições de começar a construir» com parceiros locais «uma solução integrada, pensada para o futuro, com apoio institucional e político a nível regional e nacional, que garanta sustentabilidade socioeconómica e financeira da solução que vier a ser concretizada», defendeu.
Sobre o financiamento público, Rui Antunes entende que é preciso «manter a pressão política junto da tutela, reclamando uma revisão da forma como tem sido tratada a formação nas ciências sociais humanas e muito especialmente na formação de professores». Também há muito a fazer na otimização dos recursos, afirmou. A «sustentabilidade financeira dos cursos depende essencialmente da relação entre atratividade e necessidade social», traduzidas no número de alunos, principal fonte de receita, e nos custos de funcionamento, a principal despesa, disse. «O equilíbrio entre estas variáveis não pode ser deixado a acaso», tem de «estar presente em todas as nossas decisões administrativas, financeiras, científicas e pedagógicas», observou, reconhecendo, no entanto, que não é fácil.
Após cinco mandatos na Direção e 39 anos como docente da ESEC, Rui Antunes terminou o discurso com «gratidão pessoal a todos os que fizeram parte desta longa história».
O Dia da ESEC contou ainda com a intervenção da presidente do IPC, Cândida Malça (ver texto secundário) e da presidente da Associação de Estudantes, Mafalda Pinto, e com a conferência “Mulheres num tempo sem tempo”, pela artista plástica Helena Cardoso.











