
Tempestade apanhou o lugre S. Jacinto no regresso à Figueira da Foz
O lugre bacalhoeiro S. Jacinto, registado na praça da Figueira da Foz, foi atingido por forte tempestade ao regressar da Gronelândia, concluída a campanha desse ano da pesca do bacalhau nos longínquos mares do Norte. Após alguns dias de viagem, a embarcação da Empresa de Pesca S. Jacinto, de Coimbra, foi surpreendida por «vagas alterosas», que arrastaram o jovem contramestre Manuel de Oliveira Frade, natural de Ílhavo, quando se encontrava no convés, «não sendo possível salvá-lo», bem como varreram ao mar «quase todos os apetrechos e os pequeninos barcos da pesca».
Além de «roubar a vida do pobre pescador, que apenas contava 28 anos», a tormenta provocou algumas avarias no motor, «o que atrasou a marcha do barco que só há três dias fundeou em Buarcos», informou o correspondente do Diário de Coimbra na Carta da Figueira da Foz, da edição de 21 de setembro de 1937.
O S. Jacinto teve de ser «aliviado da carga, para melhor poder entrar na barra» da Figueira da Foz
Dadas as fracas condições de navegação portuária na Figueira da Foz, o S. Jacinto estava «a ser aliviado da carga, para melhor poder entrar na barra». «Espera-se que o faça amanhã, se vier o rebocador que o deve levar para dentro do porto. Ao que nos informam, o barco não sofreu percalço maior devido à coragem de um pescador, que parece ser de Buarcos, que, com risco da própria vida, não abandonou o leme e ainda à orientação que deu às manobras, nesse momento, o capitão do barco, que teve a auxiliá-lo toda a tripulação», acrescentava a notícia.
Dias antes, também o lugre Trombetas, «primeiro barco da flotilha bacalhoeira desta praça», pertencente a Lusitânia Sociedade de Pesca, da Figueira da Foz, teve de ser «aliviado da carga onde se encontrava ancorado para poder demandar a barra», pois trazia um «carregamento completo» da Gronelândia, para onde partira em finais de abril. «Perante grande concorrência, entrou pelas 18h00 de hoje, neste porto, o lugre Trombetas», registou o jornal a 9 de setembro.
Também da flotilha figueirirense dedicada à pesca longínqua do “fiel amigo”, entrou no dia 14 neste porto o Lusitânia, que, tal como o Trombetas (o primeiro a chegar), trazia «carregamento completo».
«Aguardam-se os restantes, que segundo nos informam, trazem igualmente grande carregamento», adiantou o correspondente do jornal.












