
Carlos, David e João: três histórias de fé de quem escolheu ser padre
Este ano, o Seminário de Coimbra tem 14 seminaristas que escolheram seguir a «vocação» de Deus e dedicarem-se à vida religiosa, que um dia passará por serem sacerdotes na Diocese de Coimbra.
O Diário de Coimbra visitou o Seminário Maior de Coimbra exatamente no dia em que celebrou 260 anos desde a sua inauguração oficial e fomos conhecer três seminaristas que estão prestes a terminar o percurso de mais de seis anos no Seminário do Porto - onde fizeram a sua formação eclesiástica.
David Silva, João Mota e Carlos Gregório têm todos percursos de vida muito distinto, mas um dia todos eles responderam ao «chamamento de Deus», mudaram as suas vidas e dedicaram-se à religião católica para conseguirem cumprir a vocação de serem padres.
Atualmente, 14 jovens de Coimbra estão a frequentar o Seminário do Porto - é lá que atualmente os seminaristas de Coimbra fazem a sua formação eclesiástica -, sendo que três deles já estão a residir no Seminário Maior de Coimbra, onde por estes dias se dedicam à escrita da tese de mestrado em Teologia, da Universidade Católica do Porto, à comunidade e à vida pastoral.

De ano para ano, o Seminário de Coimbra tem conseguido ter cada vez mais pessoas que escolheram seguir o caminho de serem padres.
«Neste momento, temos tentado propor a pessoas mais jovens o caminho do sacerdócio, porque durante muitos anos tivemos pessoas com mais idade», começou por explicar o padre Nuno Santos, reitor do Seminário de Coimbra, em conversa com o Diário de Coimbra.
David Silva escolheu cedo que o caminho passaria por ser padre
Dos três seminaristas, David Silva foi aquele que mais cedo decidiu que o futuro passaria por ser padre.
«Iniciei este caminho e senti esta vontade em mim desde muito novo», contou o jovem de 28 anos, natural de Pombal. «Passei muito tempo dentro da Igreja e no silêncio sentia que podia dar mais de mim aos outros, senti o chamamento e sabia que o futuro passaria por ser padre», conta.
Apesar de ter essa certeza há muitos anos, só entrou no Seminário depois de terminar o ensino secundário.
«Antes disso, terminei a relação que tinha e disse aos amigos que queria ser padre», contou. «Ficaram surpreendidos, mas apoiaram-me sempre e hoje em dia sou muito amigo da rapariga com quem namorei». A reação da família não foi muito diferente. «Tive desde sempre o apoio deles e isso ajudou muito a enfrentar este caminho», conta. O caminho para concretizar a vontade de ser padre, esse já sabia que passaria por entrar no Seminário do Porto e «abdicar de muita coisa, do tempo em família, dos amigos e de muito mais», desabafou.
Do curso na área do Desporto até ao Seminário de Coimbra
Já João Mota, outro dos seminaristas, apesar de ter tido na infância e juventude uma «vida muito religiosa e ligado à Igreja», influenciado pela «mãe e avó», só decidiu que queria ser padre depois de ter terminado a licenciatura em Ciências do Desporto e Educação Física.
«No entanto, sempre tive esta presença de Deus muito forte em mim», contou o jovem de 31 anos natural de Eiras, Coimbra.
«Quando terminei o curso refleti muito sobre esta vontade de ser padre, falei com a minha família, amigos e com alguns párocos amigos», contou. Porém, foi depois de uma conversa com o padre Nuno Santos que começou a frequentar quase diariamente o Seminário Maior, a ajudar a preparar as missas e depois veio a realização de um curso básico em Teologia para entender se estaria pronto para entrar no Seminário. Após um ano, a decisão estava tomada. «Senti que era mesmo esse o meu caminho», afirmou.
Questionado sobre o significado de abdicar da vida pessoal, familiar e profissional que ambicionou ter um dia, assegura que «não se trata de abdicação ou de proibições». «Não o encaro assim, para mim é mais uma forma de nos entregarmos a Deus».
Família é um apoio "desde o primeiro dia"
Carlos Gregório é o seminarista com mais idade: tem 49 anos e decidiu que queria ser padre aos 42 anos. Formou-se em Engenharia Civil e foi nessa área que trabalhou durante toda a vida, antes do momento em que percebeu que o caminho, mesmo que numa fase mais tardia, passaria por ser padre. «Numa altura da minha vida morei quatro anos no Alentejo e foi nessa fase onde estava mais sozinho e mais reflexivo que ponderei mudar de vida», disse.
Seguiu-se um curso básico de Teologia e um ano depois veio a decisão definitiva de entrar no Seminário que só contou à família no dia em que o visitaram e assistiram a uma cerimónia onde iriam ser divulgados os nomes dos novos seminaristas. Apesar de terem sido surpreendidos, apoiaram Carlos Gregório «desde o primeiro dia».
Os três seminaristas residem no Seminário Maior de Coimbra onde passam os seus dias a trabalhar, a estudar e a escrever as suas teses de mestrado e os fins de semana são ocupados nas paróquias da Diocese de Coimbra onde trabalham para «ganhar experiência, conhecerem a comunidade e entender a vida de um pároco», adiantou o reitor do Seminário.
Semana dos Seminários dá a conhecer a vida dos seminaristas

Inicia-se hoje, dia 2, a Semana dos Seminários que pretende «agradecer a vocação dos sacerdotes, dos seminaristas, partilhar com a comunidade um pouco da história destes jovens», avançou o padre Nuno Santos, demonstrando a importância desta celebração na união da comunidade.
A partir de hoje as histórias dos 14 seminaristas serão dadas a conhecer à comunidade através de vídeos publicados nas redes sociais do Seminário Maior de Coimbra. Hoje, a missa será presidida pelo Dom Virgílio Antunes, bispo de Coimbra. Na quinta-feira vai decorrer pelas 21h30 uma vigília dos seminaristas. O convite é dirigido a todos aqueles que queiram fazer parte deste momento que pretende também recolher fundos para permitir a frequência destes seminaristas no Seminário do Porto.|











