
Buarcos Surf Clube promoveu treino para surfistas perderem medos no mar
O Buarcos Surf Clube dinamizou, no passado fim de semana, o primeiro workshop de apneia para surfistas na Figueira da Foz. A formação decorreu na Piscina Municipal de Alhadas, sob orientação de Ricardo Swinkels Gomes, formador certificado em respiração pela XPT, e de João Pedro Parisot, instrutor da Wavecrushers Training System. O primeiro especialista deu ferramentas na parte teórica, enquanto o segundo ensinou exercícios na parte prática. Mas ambos explicaram a importância do domínio da respiração, a capacidade de apneia e o controlo mental em situações desafiantes que possam surgir durante performances desportivas dentro de água.
«Este treino é dirigido, essencialmente, a surfistas que têm medos, fobias ou ansiedades dentro de água. A qualquer momento podemos perder a prancha e lá se vai a nossa tábua de salvação. Por isso, nós próprios temos que ter competências para nos desenrascarmos dentro de água», referiu Marcos Charana, do Buarcos Surf Clube, escola criada há um ano na Praia da Tamargueira, em Buarcos, e que reúne mais de 30 atletas, com idades compreendidas entre os 5 e os 62 anos.
«Este treino é bom para qualquer idade, mas inicialmente decidimos realizá-lo a pensar, sobretudo, nos nossos atletas que, na maioria, são crianças e para que percam o medo do mar. Há que ter sempre respeito, mas o medo é bom que se perca», evidenciou, por sua vez, Nuno Garcia, presidente do Buarcos Surf Clube. E acrescentou: «Há muita gente que, por vezes, não vai ao mar nem à praia, e nem sequer pratica um desporto náutico, porque têm medo da água. Por isso, seja praticante de deporto ou não, esta formação é essencial para qualquer pessoa aprender a perder os seus próprios medos».
E foi isso mesmo que levou Daniel Pejão, de 37 anos, a participar neste workshop, que reuniu cerca de 30 participantes de várias idades. Praticante de surf há vários anos, esteve sem ir ao mar durante largos meses. Quando regressou à água começou a ter crises de ansiedade e mesmo entrando acompanhado, sentiu que não conseguia sentir-se confortável. Chegou a procurar a ajuda de Marcos Charana para ir surfar e quando teve conhecimento do workshop não hesitou em participar.
"Sinto que esta experiência me deu mais confiança", comprovou Daniel Pejão
«A preparação física é importante, mas superior a isso é a capacidade de autocontrolo. Considero que a nossa mente faz 80% do trabalho que é preciso para superar os desafios. Além disso, com esta formação consegui perceber que a questão da respiração é relevante, não só para quando se está dentro de água, mas também para situações do dia a dia. Por isso, sinto que esta experiência me deu mais confiança», comprovou Daniel Pejão.
Refira-se que o workshop consistiu em realizar exercícios de respiração funcional, treino dos músculos respiratórios, treino em hipoxia e hipercapnia, bem como efetuar apneia estática e dinâmica em piscina, tendo como objetivo adiar estados de fadiga física e mental durante a prática desportiva, aumentar tempo de apneia e manter o controlo mental em situações desafiantes o que, por conseguinte, deverá permitir reduzir pressão, ansiedade ou medo dentro de água.
«Esta foi a nossa primeira formação e superou as nossas expectativas», afirmou Nuno Garcia, revelando que há intenção de promover mais cursos do género com mais regularidade. «Vamos ver o que conseguimos desenvolver a partir daqui, pois para darmos o passo seguinte também precisamos de patrocínios», sublinhou o presidente do Buarcos Surf Clube.
De acordo com o responsável, «infelizmente, há poucos apoios e poucas pessoas interessadas pelo surf na Figueira da Foz», em comparação com outros locais em Portugal e que são reconhecidos internacionalmente, como Ericeira, Peniche ou Costa da Caparica. «O que nós gostávamos era de conseguir trazer para a Figueira mais iniciativas ligadas ao surf de modo a fazer crescer a modalidade. Por exemplo, este workshop de apneia nunca foi feito e é importante», frisou.
«Se for possível, queremos dar continuidade e realizar talvez de duas em duas semanas. Porque esta formação é boa, mas dá as bases, mas não é suficiente. Quanto mais praticarem, melhor será para evoluírem», evidenciou Marcos Charana, explicando que os participantes »vão simular situações como se estivessem no mar, com cardio elevado, mas com um ambiente controlado», o que permitirá «reduzir os medos dentro de água».











