
Estratégias e conselhos para lidar com o luto sem tabus e sem metáforas
“Vamos falar sobre luto”. O desafio é da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), que este sábado lança um documento cientifico e informativo que pretende ajudar as pessoas a compreender melhor o que é o luto, como se manifesta e de que forma é possível ultrapassá-lo.
«Na maioria das situações, o luto é uma reação natural de adaptação a uma nova realidade quando ocorreu uma perda», embora nalgumas situações possa transformar-se num problema de saúde psicológica, sublinha a OPP, acrescentando que «todos passaremos, em algum momento, por processos de luto - seja pela morte de alguém significativo, pela perda de saúde, de um emprego, de uma relação, ou até de um projeto de vida».
Nesse sentido, o luto «é uma reação universal», mas «profundamente pessoal», pelo que a natureza, intensidade e duração depende de diversos fatores, sendo certo que a morte e o luto não raras vezes são assuntos tabu. «No entanto, há algumas reações comuns. O luto é, quase sempre, um processo doloroso. Pode envolver diferentes momentos (desde a negação ao choque, tristeza profunda e, eventualmente, aceitação) e costuma vir acompanhado de emoções intensas, pensamentos contraditórios e mudanças nos nossos comportamentos habituais, muitas vezes com impacto negativo no nosso bem-estar», lê-se no documento “Vamos falar sobre luto”.
"Cada pessoa vive o luto ao seu ritmo, de forma única"
«Cada pessoa vive o luto ao seu ritmo, de forma única», adianta a OPP, lembrando que «o luto não tem um calendário ou relógio» e que «cada pessoa reage de forma diferente e ao seu próprio ritmo», por isso, «algumas pessoas choram, outras não; umas preferem o silêncio, outras precisam de falar».
«O essencial é reconhecer que o sofrimento é uma parte natural do processo de adaptação à perda. Cada pessoa tem direito ao seu processo de luto», sublinha a Ordem dos Psicólogos, apontando, no documento, que «durante o processo de luto, as emoções são uma parte essencial» e podem «ser intensas ou contraditórias».
O documento dedica uma atenção especial às crianças e adolescentes. «Dar a notícia da morte de alguém próximo e apoiar uma criança durante o luto é delicado. A forma como a informação é transmitida pode ter impacto no seu bem-estar e na capacidade de lidar com a perda», pelo que «deve procurar-se utilizar sempre uma linguagem adequada à idade e ao nível de desenvolvimento da criança, usando palavras claras e exemplos simples (por exemplo, “o corpo parou de funcionar”)», aconselha a OPP, frisando que não se deve ter receio de usar a palavra morte, assim como se devem evitar «metáforas e eufemismos que podem confundir a criança e criar expectativas irrealistas (por exemplo, “está a dormir”, “foi para o céu”)».
«Já na adolescência, a morte é percebida como um evento natural e inevitável, embora distante da sua realidade pessoal – ou seja, que dificilmente pode acontecer ao próprio adolescente», continua a OPP, deixando estratégias de como ajudar um adolescente a lidar com o luto.











