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“A cremação consolidou-se como opção preferencial entre as famílias”

A atividade do Crematório Municipal de Coimbra tem crescido “de forma sustentada”. Marco Baptista, diretor da Ambinecro, diz que é o reflexo de uma “uma mudança cultural na forma de lidar com o luto, mais prática e concentrada no espaço”

Diário de Coimbra O Crematório Municipal de Coimbra está em funcionamento desde junho de 2016. Neste momento, que serviços são prestados e quais os mais solicitados?
Marco Baptista Desde que o Crematório Municipal de Coimbra iniciou a sua atividade, em junho de 2016, o serviço principal tem sido a cremação de corpos, complementado por outros serviços que se foram consolidando ao longo dos anos: cremação de ossadas e cadáveres exumados, disponibilização de salas de velório, soluções para deposição de cinzas (nomeadamente Cendrário e Jardim da Memória) e o serviço de aluguer de câmara frigorífica. Entre 2016 e 2019, registou-se um aumento progressivo do número de cremações. Em 2020, com a pandemia de COVID-19, verificou-se um salto significativo nessa atividade, motivado pelo aumento do número de óbitos e também pelas recomendações das autoridades de saúde que favoreceram a cremação. A partir de 2021, a evolução tornou-se mais estável, com um crescimento ligeiro. Neste momento, o número de cremações de 2025 encontra-
-se praticamente ao nível do de 2024, com um ligeiro crescimento. Durante a pandemia, também houve um aumento notório na utilização das câmaras frigoríficas, devido à necessidade acrescida de conservação de corpos e ao maior fluxo de serviços. Já a deposição de cinzas no jardim da memória tem vindo a crescer de forma contínua, com destaque para um aumento mais expressivo a partir de 2023. Quanto às salas de velório, após o encerramento durante o período pandémico, verificou-se uma forte recuperação da procura, acompanhada de uma mudança nos hábitos das famílias: tornou-se mais comum realizar o velório e o funeral no mesmo dia e nas próprias instalações do crematório, seguindo-se a cremação. Este novo padrão reflete uma mudança cultural na forma de lidar com o luto, mais prática e concentrada no espaço do crematório.

Já que fala em números, é possível falar na atividade do crematório, nos seus vários serviços, no ano passado e já este ano?
Em 2024, o Crematório Municipal de Coimbra registou um total de 982 cremações de corpos, 44 cremações de ossadas, 53 deposições de cinzas em cendrário, 30 utilizações da câmara frigorífica, 106 deposições de cinzas no jardim da memória e 128 velórios realizados nas instalações. Até ao dia 26 de outubro de 2025, os números já apurados indicam 823 cremações de corpos, 51 cremações de ossadas, 65 deposições de cinzas em cendrário, 28 utilizações da câmara frigorífica, 137 deposições de cinzas no jardim da memória e 131 velórios. Estes valores confirmam a estabilidade da atividade principal e o crescimento contínuo de serviços complementares, como os velórios e a deposição de cinzas no jardim da memória, que têm vindo a ganhar cada vez maior relevância junto das famílias.

Crematório Municipal De Coimbra Fig 4

Tem-se notado, efetivamente, um incremento da atividade do Crematório e estes números confirmam-no. Como tem evoluído a atividade nos últimos anos?
Sim. Desde a sua abertura, a atividade do Crematório Municipal de Coimbra tem vindo a crescer de forma sustentada. O maior salto registou-se em 2020, em plena pandemia, e a partir daí os níveis de procura mantiveram-se estáveis, com uma ligeira tendência para o crescimento. A cremação consolidou-se como opção preferencial entre as famílias, tanto pela sua natureza prática como pela crescente aceitação cultural. Paralelamente, tem aumentado a realização de cerimónias fúnebres nas próprias instalações do crematório, o que demonstra uma tendência de integração dos diferentes momentos da despedida num só local. Este comportamento evidencia uma alteração no modo como as famílias encaram o luto e organizam os serviços fúnebres, privilegiando a serenidade, a privacidade e a eficiência logística.

Nota-se uma tendência para realizar todas as cerimónias fúnebres nas instalações do crematório e no mesmo dia do funeral. Podemos falar numa mudança de cultura relacionada com o luto?
Sim. A pandemia marcou um ponto de viragem na cultura do luto. Antes de 2020, era comum realizar velórios mais prolongados, muitas vezes de um dia para o outro. No pós-pandemia, verificou-se uma preferência crescente por cerimónias mais concentradas, realizadas no próprio crematório e no mesmo dia do funeral. As famílias passaram a valorizar a comodidade e a tranquilidade proporcionadas por espaços adequados, onde o velório, a cerimónia de despedida e a cremação decorrem de forma integrada. Esta mudança traduz uma modernização dos rituais e uma adaptação às novas dinâmicas sociais.

Que impacto teve o COVID na atividade do Crematório Municipal de Coimbra após 2020?
O impacto foi muito significativo. Durante o período pandémico, o crematório registou um aumento substancial no número de cremações e na utilização das câmaras frigoríficas, devido às restrições impostas e à necessidade de resposta rápida e segura. As cerimónias fúnebres foram temporariamente suspensas, e o foco concentrou-se na gestão operacional e sanitária dos serviços. Após o levantamento das restrições, a atividade retomou o seu ritmo normal, mas com novos hábitos instalados — nomeadamente a preferência por serviços mais diretos, no mesmo dia, e a adesão crescente às cerimónias no próprio crematório.

 

Crematório Municipal De Coimbra Fig 8

A Ambinecro é responsável por vários crematórios em Portugal. Que papel tem o de Coimbra na atividade da empresa?
O Crematório Municipal de Coimbra tem um papel de grande relevância na rede de equipamentos geridos pela Ambinecro, sendo uma referência na região centro. A sua localização estratégica e o nível de procura fazem dele um ponto essencial na prestação de serviços fúnebres de qualidade e eficiência, contribuindo de forma significativa para a experiência acumulada e a consolidação da presença da empresa a nível nacional.

Estão previstas obras ou novos serviços a acrescentar?
Atualmente, estão previstas pequenas intervenções de melhoria e manutenção nas instalações, sempre com vista na melhoria dos serviços prestados. A Ambinecro procura continuamente modernizar os espaços e adaptar a resposta às necessidades das famílias, privilegiando a dignidade e o conforto em todos os momentos do processo fúnebre.

Em 2026, o Crematório Municipal de Coimbra completa 10 anos de atividade. Qual a ambição, em número de cremações e outros serviços?
O objetivo é, por um lado, consolidar o nível atual de atividade e, por outro, trabalhar no sentido do crescimento, mantendo a qualidade e a eficiência do serviço. A meta passa por reforçar a confiança das famílias e valorizar o papel do crematório como espaço de referência no centro do país. O décimo aniversário será também um marco simbólico para celebrar a evolução do serviço público e o contributo do crematório para uma nova cultura do luto na zona Centro de Portugal.

Novembro 1, 2025 . 17:00

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