
Corpos trocados na Medicina Legal
O familiar de um falecido cujo funeral se realizou ontem, ficou estupefacto quando chegou ao Instituto de Medicina Legal de Coimbra para fazer o reconhecimento do corpo e verificou que o cadáver em causa não era o que procurava. Efetuadas algumas diligências pela agência funerária encarregue de realizar o funeral da pessoa em causa, verificou-se que o corpo havia sido entregue a uma outra agência e que já estava numa capela com a cerimónia fúnebre a decorrer.
Ontem, ao Diário de Coimbra um dos agentes funerários que viveu a situação relatou a indignação da família. «O corpo do nosso funeral já estava na capela e ia a seguir para cremação», contou. Ora, se não se fizesse o reconhecimento naquela altura podia já estar a cerimónia fúnebre terminada e o corpo errado cremado. «Não foi cremado por casualidade», realçou.
Detetado o erro, acrescentou a mesma fonte, o corpo que estava na capela voltou para o Instituto de Medicina Legal e o da Medicina Legal para a capela. Da parte da tarde, e como estava previsto, realizou-se o funeral.
A outra funerária que também viveu esta situação, escusou-se a prestar esclarecimentos.
Insólita situação gerou indignação dos familiares que se passou ontem de manhã
O Diário de Coimbra contactou por escrito o Instituto de Medicina Legal e, em resposta ao nosso jornal, adiantou que ontem, cerca das 8h30, «foi identificado, pela agência funerária representante da família, um corpo de uma pessoa falecida. Após a identificação, a agência levantou o corpo e entregou-o à família».
Mais tarde, «entre as 8h45 e as 9h00, foi feita a identificação de um segundo corpo». Na mesma resposta acrescentam que «nesse momento, pelas 9h00, foi detetado o erro na identificação do primeiro corpo, e às 9h20 foram tomadas as devidas diligências e feitos os respetivos contactos. Cerca das 10h30, e já nas instalações do Instituto, foi feita a correta identificação do primeiro corpo pela família».
A Delegação do Centro do INMLCF salienta ainda que existem, usualmente, dois métodos de identificação. «O método do reconhecimento facial por familiares ou seus representantes legais e, no caso de cadáveres não identificados, aplicam-se os métodos de identificação científica (impressões digitais, genética ou medicina dentária, entre outros), da responsabilidade do INMLCF/PJ».
Neste situação em concreto e, «independentemente do INMLCF considerar ter sido alheio ao erro cometido, foi decidido abrir um processo de inquérito interno, para averiguar se os procedimentos que cabem ao INMLCF foram escrupulosamente cumpridos».










