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“Casa” Coimbra, o professor de Geografia, a mãe “que foi mãe e pai” e o irmão Dinis

Num lado mais pessoal, Afonso Costa fala do curso que tirou na Universidade de Coimbra e da família

Formou-se na Universidade de Coimbra e foi professor de Geografia. Como é que sempre conseguiu conciliar a alta competição com os estudos?
Tudo se faz. Sendo um atleta olímpico, que trabalha para uma medalha olímpica, conci­liar com os estudos, é possível e é só mais uma barreira. Não é fácil e é necessário fazer escolhas em certos momentos. A questão de fazer escolhas vai para lá do óbvio, já nem estou a contabilizar o, por exemplo, não sair à noite, por isso já é um dado adquirido de um atleta de alta competição. Não há tempo para isso. Os atletas que fazem bi ou tridiários, co­mo é o remo que tem uma car­ga horária elevadíssima, mais ter aulas, mais descansar o melhor possível, chega-se ao final do dia e não há energia para praticamente mais nada. Conciliar tudo é mais uma luta que os atletas têm de superar. Se o atleta tiver de ir para um estágio, para preparar uma gran­de prova, e tiver de faltar a um exame e a uma ou outra aula, a escolha é ir ao estágio e ir à competição.

Como é que era o Afonso como professor de Geografia? Os alunos reconheciam-no como atleta olímpico?
Formei-me na Universidade de Coimbra e depois fiz um Mestrado na área do ensino. Só tinha dado aulas no estágio curricular, ao mesmo tempo que treinava e que me tentava apurar para os Jogos. Como era estágio, tinha só uma tur­ma para orientar, preparava as minhas aulas com tempo, a minha orientadora compreendia a minha situação de me estar a tentar apurar para os Jogos e não foi algo típico, por as­sim dizer, ou seja, não tive a experiência toda. Mas, mais recentemente, após ter falhado os Jogos de Paris 2024, com o meu irmão Dinis em que falhámos por um segundo, perdemos a bolsa de apoio do Comité Olímpico. Nesse caso, tive que me fazer à vida e, lá está, dar aulas. Adorei. Foi uma experiência incrível. Continuava a conciliar e decidi logo que me ia virar para o remo de mar mas estava sem rendimentos e consegui, com algum jogo de cintura, ter meio horário na Escola Dona Maria, em Coimbra. Treinava ao mesmo tem­po. Foi uma época muito dura e sentia-me muito cansado mesmo só com cinco turmas do 7.º ano. Muitos dos alunos viam-me como um exemplo, não só como um atleta, mas como ser humano. Tentava transmitir bons valores que o desporto me ensinou e acho que foi algo muito bom na minha vida.

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Outubro 30, 2025 . 10:35

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