
Como, onde e quando brincam hoje as crianças?
Onde e quanto tempo brincam as crianças e qual o papel da tecnologia? São estas algumas das preocupações subjacentes ao estudo “Portugal a Brincar” desenvolvido desde 2018 numa parceria entre a Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), o Instituto de Apoio à Criança (IAC) e a Estrelas e Ouriços. As conclusões obtidas em 2024 voltam ao centro de debate amanhã, 30 de outubro, no âmbito da 6.ª conferência Estrelas & Ouriços que terá lugar em Paço de Arcos, no Edifício Impresa, com o mote “Como brincam hoje as crianças em Portugal”. E como o foco são crianças, serão elas que irão acompanhar e monitorizar todos os trabalhos, cabendo-lhes o encerramento da sessão.
Estes momentos de reflexão, em regra, acontecem de dois em dois anos, na mesma periodicidade em que decorre o questionário (simples, com perguntas de escolha múltipla), dirigido a todos os pais e mães com filhos até aos 10 anos. Porém, «face à emergência da temática», esta é a primeira vez que é realizada uma «conferência intermédia» na qual será abordado o assunto, explica ao Diário de Coimbra Rui Mendes, docente na ESEC e coordenador do estudo. A cooperação entre as três instituições permite chegar a mais famílias que reconhecem a relevância de brincar, porém «muitos pais vivem martirizados por terem pouco tempo para brincar com os filhos», mostram-se preocupados com o facto das «crianças serem pouco ativas» e pelo tempo que passam frente aos ecrãs, sejam telemóveis, computadores ou televisão.
O “tempo para brincar” é um dos principais desafios da atualidade, tendo em conta que, por um lado, os adultos correm entre o emprego (às vezes mais que um) e tarefas domésticas, e, por outro, as crianças acabam por ter uma carga horária semanal elevada, entre escola, trabalhos de casa e atividades extra-curriculares, restando muito pouco tempo (e energia, tanto dos filhos como dos pais) para momentos de interação e diversão, explica o coordenador do estudo. As conclusões do último inquérito revelam isso mesmo: 40,4% das famílias identificam como constrangimento a brincarem com as crianças a falta de energia devido à elevada carga de trabalho diário, sendo que para cerca de 50% o que é imprescindível para a criança brincar é ter tempo livre.
A par do tempo, o espaço para brincar é igualmente pertinente, sobretudo nas cidades, com um impacto direto na qualidade da experiência da criança, refere o professor, frisando que no próprio meio escolar há condicionantes que acabam por limitar as brincadeiras. No painel dedicado a esta questão vão ser analisadas «as razões pelas quais as crianças brincam mais em casa do que noutros locais» com o intuito de serem identificadas «oportunidades para melhorar os espaços de brincadeira ao ar livre e nas escolas», tornando-os «mais estimulantes e enriquecedores», sendo que para mais de 60% dos pais, os espaços públicos ao ar livre são os locais ideais para as crianças brincarem.
Não menos importante, o papel da tecnologia é tópico incontornável. Tendo em conta que «é uma força crescente na vida das crianças» impera perceber como tirar partido dela «promover brincadeiras criativas, aprendizagem lúdica e interações sociais positivas».
Docente da ESEC intervém no 1.º painel
Rui Mendes vai ser o “provocador” do primeiro painel onde será abordado “O tempo para brincar” , com testemunho de Patrícia Castanheira (investigadora da LEGO Foundation e especialista em formação de professores) com intervenções de Hugo Rodrigues (médico pediatra), Paula Costa (mentora de Working Families na Parents&Partners) e Inês Morais de Alarcão (criadora de conteúdos, “mãe de 3”). A conferência decorre das 9h30 às 13h00 e tem transmissão online, mediante inscrição.











